domingo, 26 de setembro de 2010

ENSINO DAS ARTES NOS ANOS INICIAIS

INTRODUÇÃO
                   Elemento primitivo da natureza humana, a arte está em todos os lugares e se expressa em cada gesto e imagem no alicerce do imaginário. Colaboram com a construção da nossa identidade cultural e é neste ponto que seu ensino exige um maior tratamento didático que possibilite um desenvolvimento pleno do aluno.
                   Por isso, este trabalho de pesquisa tem como norte principal descrever uma pouco do trabalho pedagógico do Ensino das Artes, para isso foram realizadas entrevistas com professores do Ensino Básico nos Anos Iniciais. Nas entrevistas realizadas buscou-se abordar pontos relevantes que revelasse como se sente o professor diante da disciplina de Artes.

A CONTEXTUALIZAÇÃO NAS AULAS DE ARTES

                           Desde os primordios da civilização, o homem busca intensamente formas de se expressar, ou seja, manter uma comunicação e para alcançar tal objetivo lança mão das mais diversas fontes. Inicialmente o homem buscou em meio a rusticidade vivenciada, uma forma de transmitir ao seu companheiro e as demais gerações a sua cultura, seu modo de viver em sociedade, e fez isto por intermédio do desenho.
                           Portanto, a primeira tentativa de comunicação acontece pelo desenho que parece ser um processo natural de todo ser humano. Segundo Paulo Freire a Arte possibilita “dialogar com o mundo”  e é dentro desta arte-cultura que o Ensino das Artes deve apoiássem, oportunizando os alunos a ver, sentir e assistir manifestações artisticas variadas, conectando assim, por esta via, o conhecimento estético aos aspectos sensíveis e cognitivos. Com objetivo de tentar mostrar como é vivenciada as aulas de Artes no munícipio da Gameleira, foi elaborado uma pesquisa com alguns professores da rede, onde nela encontrasse alguns temas que refletiremos no corpo deste trabalho.
                        No decorrer das entrevistas realizadas ficou evidente que os professores que ministram as aulas de artes não tem nenhuma habilitação específica para a área. Isso não supreende, pois como sabe-se na maioria dos casos dos anos iniciais o professor é polivalente. As pesquisas referente as abordagens metodologicas utilizadas, resultou na seguinte conclusão:  o foco recai na visão tradicional, destinando o trabalho pedagógico a pintura e a vivência de datas comemorativas. É importante ressaltar que as modalidades mais trabalhadas são: desenho, pintura e colagem e que as linguagens como música, teatro e dança são utilizadas em acme de projetos ou comemorações de datas especiais (dia das mães, pais, natal, etc.). Verificou-se também que o museu não é um dos espaços frequentado pelos professores e que a maioria já visitaram pelo menos uma vez o museu em viagens da faculdade, porém nunca de iniciativa própria. Ao serem questionados sobre o trabalho com a imagem (obras-telas) foram unânimes ao assegurar que proporcionam um trabalho neste eixo, porém os encaminhamentos utilizados são presos e tradicionais, que oferta apenas uma visão fragmentada da realidade. Geralmente enfocam as cores, texturas, linhas, autor, forma, expõem um comentário sobre o contexto  social da obra e pedem que reproduzam a tela. Optam por trabalharem autores como Portinari, Galdi, Tarsila do Amaral, pois já encontram sugestões de atividades no manual do professor (livro didático) ou ainda idéias retiradas da internet.
                         A pesquisa identificou um outro grupo de professores, de igual modo sem habilitação específica, porém com dois elementos fundamentais: a pesquisa e a inovação. Em seus relatos apontaram que trabalham Artes senamalmente e que variam as linguagens artísticas e suas modalidades, enfocam um trabalho de leitura de imagens, buscando novos caminhos e possibilitando uma reflexão bem mais apurada do contexto social passado e do virgente. A base desta mudança é a iniciativa de pesquisa e leitura, para melhor atender os alunos, por isso, eles buscam  imagens em livros e em outros suportes, trazem propagandas, fotos antigas a atuais, chages, etc. Mencionaram ter levados seus alunos a eventos e espetáculos folclóricos comuns da região.
                     Uma aula de Artes dentro dos padrões sugeridos pelos PCN’s abordam os eixos da proposta tirangular de Ana Mae Barbosa que contempla o contexto politico-econimico e sociocultural, isto é possivel na contextualização das aulas, ou seja, da interdisciplinaridade. Dinte do exposto as aulas de artes necessitam  proporcionar aos alunos o contato com os mais diversos materiais, suportes, e modalidades da linguagem artistica, uma sugestão bem trabalhada seria levar os alunos ao uma evento cultural, como por exemplo, uma visita ao museu Mestre Vitalino, pois suas obras são riquissimas em valor cultural, social e sobretudo conta a historia da região nordeste mais particularmente do agreste . A leitura das obras e do contexto social daquele tempo associado ao trabalho de hoje com o barro, possibilitaria as crianças tomarem consciência através da reflexão de apectos geográficos e históricos do Alto do Moura, celeiro dos ceramistas populares de Caruaru. Afinal, da condição utilitária primordial do barro, que remonta aos hábitos indígenas, o ceramista deu ao barro um status de arte, que é, sim, um retrato do cotidiano onde vivia, mas sempre foi uma obra carregada de imaginação e de um poder inventivo que deu novas cores e formas às histórias que ouvia das pessoas, principalmente da mãe. Assim as crianças aprenderiam na tríade de  Ana Mae Barsosa dentro de uma visão interdisciplinar e construiriam uma vsião da totalidade e não fragmentada do conhecimento das Artes.

CONCLUSÃO

                           Diante de todo trajeto da Educação Artística e das pesquisas realizadas ve-se que  o Ensino das artes não se configurou muito,  devido a uma especificação na Lei, aliado com a comodidade que o tradicionalismo oferece.
                         As aulas ainda hoje destinam –se a pintura, recorte e colagem ou ao desenho livre, destituido de significação para os alunos. A aula de Artes como agente de conhecimento deve focalizar o fazer, a apreciação e reflexão, em um todo, não mas fragmentado.
                      O Ensino de qualidade, portanto, tem o obrigação de propiciar a oportunidade do aluno se reconhecer em sua produção artistica, bem como refletir sobre seu tempo, espaço, bem como outros fatores que implicam em sua produção e de artistas famosos.



sábado, 18 de setembro de 2010

Diversidade com cor, som e sabor.




“Todo brasileiro, mesmo o alvo, de cabelo louro, traz na alma, quando não no corpo, a sombra, ou pelo menos a pinta, do indígena ou do negro...”

Gilberto Freyre, Casa Grade e Senzala

                                                      

1.    IDENTIFICAÇÃO DO PROJETO
Escola: 
Tema: Diversidade com cor, som e sabor.
Tempo de execução: Mês de novembro
Culminância: 
Características: Projeto Interdisciplinar.
Público Alvo: Anos Iniciais do Ensino Fundamental

2.    PROBLEMATIZAÇÃO
                           O estudo institucional da sociedade brasileira revela uma disposição funcional de consentimento à discriminação e ao racismo, que até hoje é alvo de inúmeros protestos, mesmo dentro do campo educacional, ficou registrado os astutos laços de superioridade elegida pelo homem branco, a exemplo os dispositivos da Educação no Brasil Colônia.  No decreto 1.331 de 17 de fevereiro de 1854 estabelecia a proibição de escravos nas escolas públicas, mais adiante em 1878 no decreto 7.03 A o ensino aos negros somente era oferecido no período noturno, uma verdadeira estratégia esmagaste contra tão importante representante da força brasileira. Diante desse imperativo, necessita-se de uma maior inclusão dos educandos com a origem da sociedade brasileira, ou seja, das contribuições africanas, no desenvolvimento e história do Brasil. Tendo em vista esta temática o presente projeto foi elaborado no sentido de promover um conhecimento mais aprofundado sobre a importância da contribuição dos africanos para o desenvolvimento do nosso país, como um todo, em todos os aspectos da nossa cultura.  Considera-se que este trabalho se constitui em um dos primeiros passos para formação de uma nova geração de cidadãos autênticos que exercitam verdadeiramente o senso crítico e a ética.

3.    JUSTIFICATIVA
                           A Escola xxxxxx, empenhada com a pauta das políticas afirmativas delimitadas pelo MEC vem introduzindo em seu currículo um conjunto de ações voltadas a promover a inclusão social e a cidadania, fortalecendo assim a riqueza da diversidade étnico-racial e cultural brasileira.
                           Portanto, a fim de alcançar este objetivo lança o projeto Diversidade com cor, som e sabor que trata da diversidade cultural fundamentado na preservação e valorização da memória, uma das formas de construir a história.  Esta temática, Consciência Negra orienta-se na historicidade e no aspecto legal instituído pela Lei 10.639 de março de 2003, que torna obrigatório o ensino da História da África e dos africanos no currículo do Ensino Fundamental e Médio. A criação do dia 20 de novembro foi importante, pois serve como um momento de conscientização e reflexão sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da cultura nacional. Os negros africanos colaboraram muito, durante nossa história, nos aspectos políticos, sociais, gastronômicos e religiosos de nosso país. Por isso se justifica a necessidade latente de abordar tema no segmento educacional.

4.     FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

                           A História do Brasil tem suas raízes do outro lado do Atlântico, ou seja, a sociedade brasileira distingue-se por uma pluralidade étnica, sendo alvitre de um processo histórico que introduziu num mesmo cenário três grupos distintos: portugueses, índios e negros de origem africana. Hoje, a sociedade brasileira vigente vive circunstâncias, como preconceito. Evidenciando a difícil inclusão social, dos negros e descendentes afros. Logo o trabalho com este tema deve originar-se nos anos iniciais, privilegiando a questão da identidade, do respeito à diversidade e da autoaceitação.
                           A obrigatoriedade do ensino da História da África no Brasil torna oportuno o trabalho voltado a “Consciência”, pois ela sinaliza o valor da conquista da liberdade deste grupo, também põe em pauta a importância de discutir a temática negra na escola. A inclusão de assuntos ligados à África e ao povo negro na educação formal é uma das estratégias para reconhecer a presença desse grupo na história do Brasil - os negros correspondem a 6,8% da população brasileira segundo o IBGE, mas os chamados "pardos" chegam a um número próximo da metade da população brasileira. Assim sendo, escolas e instituições diversas já reconhecem a importância de trabalhar a cultura negra em seu dia a dia, proporcionando reflexão crítica da realidade e afirmação positiva dos valores culturais negros pertencentes a nossa sociedade, ou seja, abre um espaço para o diálogo cultural das expressões da arte e cultura negra, desenvolvendo atividades dinâmicas e interdisciplinares.
                            Para a socióloga Antonia Garcia, doutoranda do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, "É importante que se conquiste o "Dia Nacional da Consciência Negra" como o dia nacional de todos os brasileiros que lutam por uma sociedade de fato democrática, igualitária, unindo toda a classe trabalhadora num projeto de nação que contemple a diversidade engendrada no nosso processo histórico". Como a escola é um dos principais mecanismos de transformação cabe a ela neste sentido democratiza a promoção da integralidade, do respeito às diferenças características de cada grupo étnico. Assim o caminho é assumir eticamente a democracia como projeto e processo, o que não é possível sem o reconhecimento e valorização das singularidades étnico-raciais, e também sem a necessária discussão sobre as relações de poder estabelecidas pelo racismo. Diante disso a escola tem uma importante e indispensável contribuição, que passa inicialmente por uma reestruturação curricular que incorpore de forma consciente e positivamente, os princípios:
“Cabe ao Estado promover e incentivar políticas de reparações, no que cumpre ao disposto na Constituição Federal, Art.205, que assinala o dever do Estado de garantir indistintamente, por meio da educação, iguais direitos para o pleno desenvolvimento de todos e de cada um, enquanto pessoa, cidadão ou profissional” (Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, pág. 11)
                            Visando atender os propósitos expressos na LDB, bem como, a obrigação de formar sujeitos críticos, autônomos e que saibam posicionarem-se nos mais diversos temas, embasando seus argumentos em fatos e dados históricos e geográficos, o projeto articula-se as demais áreas em uma premissa interdisciplinar, buscando romper com os entraves da fragmentação disciplinar. Instrumentaliza seu trabalho em encaminhamento de reconhecimento da historia e da cultura afro-brasileira, postulando-se nas dimensões históricas, sociais, culturais e antropológicas oriundas da realidade brasileira, visando combater o racismo e a discriminação. Os encaminhamentos pedagógicos coerentes com as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações Étnico-Raciais e Cultura Afro-Brasileira Africana esboçam as relações cotidianas de valorização da identidade, cultural e historia dos negros na formação da nossa sociedade, ou seja, esta educação requer aprendizagens de troca entre brancos e negros, a fim de construir uma sociedade justa e equânime.
“É possível abrir espaço para práticas pedagógicas que mostrem o mundo além do imaginário europeu. Corrigir equívocos históricos, que reforçam preconceitos no sistema educacional pela generalizada falta de informação sobre a questão racial e sobre o que é discriminação. Corrigir os erros que produzem baixas na auto-estima da criança negra, reforçada por atividades educacionais como a utilização de músicas e ditados pejorativos considerados “folclóricos” e, principalmente, desconstruir o mito da democracia racial brasileira”. (Rachel Oliveira).

                             A educação ao fazer esta ponte entre o passado e a construção do futuro pacificador e igualitário, dispõe de garantias de reflexão e diálogo, sobretudo de consciência social, requisito primordial para atuar como cidadão responsável na sociedade brasileira, atendendo por esta via o que prever a Constituição Federal em seu Art. 3.

5.     OBJETIVO GERAL

·         Reconhecer a importância do negro na formação da sociedade brasileira, analisando sua contribuição nas áreas: social, econômica, cultural e política através de diferenciadas atividades tanto individuais quanto em grupo.

6.     OBJETIVOS ESPECÍFICOS

·        Valorizar a cultura negra e seus afro-descendentes e afro-brasileiros, na escola e na sociedade;
·         Desmitificar o preconceito relativo aos costumes religiosos provindos da cultura Africana;
·      Trazer à tona, discussões provocantes, por meio das rodas de conversa, para um posicionamento mais crítico frente à realidade social em que vivemos;

7.     CONTEÚDOS
Língua Portuguesa
Influência lingüística africana no Brasil, origem banta já incorporada ao nosso vocabulário. Segundo Nei Lopes, no seu dicionário Banto do Brasil (1996), para se constatar palavras de origem banta (Africana) em nossa língua, basta buscar as seguintes características:

1) Presença de sílabas iniciais como Ba, Ca, Cu, Fu, Ma, Mo, Um, Qui, etc...
Exemplos:
Caçula-cadango-cachimbo
Curinga-cuca
Fubá-fuleiro-fulo
Macunba-maxixe-magé-mala-mafuá
Quitanda-quizila-quitute-quilombo-quiabo

2) Presença, no interior dos vocábulos dos grupos consonantais: mb, nd, ng. Etc. exemplos:
Banda, samba, mambo, lambada.
Bunda, umbanda, dendê, quengo, camundongo, ginga, tanga, sunga.

3) Presença de terminações como aça, ila, ita, ixe, ute, uca, etc.
Exemplos:
Macaca-quizila-catita-maxixe
Bazuca-muvuca

Lendas africanas e histórias sobre diversidade. Exemplos: Menina Bonita do Laço de Fita, de Ana Maria Machado, O Pássaro-da-Chuva, de Kersti Chaplet, e o gibi Zumbi dos Palmares (produzido em 2001 pela Editora Lake é distribuído gratuitamente) para atividades de leitura e escrita.

Matemática
Medidas de tempo, tamanho e distância;
Números fracionários, inteiros e decimais;
Adição, subtração, multiplicação e divisão;
Calendário

História
Origem dos Quilombos principalmente dos Palmares e seus remanescentes;
Datas comemorativas: 13 de maio Dia Nacional de Denúncia contra Racismo, 20 de novembro Dia da Consciência Negra, 21 de março Dia Nacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial;
Organizações pré-coloniais: Reinos Moli, Congo e Zimbalwe, etc.

Geografia
Localização da África e do Brasil no mapa Mundi;
Aspectos Geográficos da África como: relevo, clima, hidrografia, vegetação, etc.

Ciências
Fauna do Brasil e da África;
Flora do Brasil e da África.

Artes
Estudo da presença negra e mestiça na arte brasileira pode partir de nome como Mestre Valentim e Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Artistas negros do século XX como Benedito José Tobias, Iêda Maria, Rubem Valentim, Mestre Didi, Ronaldo Rêgo, Otávio Araújo, Jorge dos Anjos, Emanuel Araújo. Obras de Jean Baptiste Debret (1768-1848) é possível conhecer como era o cotidiano das crianças na época da escravidão.
Danças, músicas e adereços:
As festas tradicionais brasileiras, como Maracatus, Bumba-meu-Boi, Cavalhadas, Marujadas, Folia de Reis, Festas do Divino, Congadas, constituem importantes elementos da cultura popular, carregados de valores e sentidos próprios.
Músicas: Axé music, Carimbó, Funk carioca, Lambada, Lundu, Maxixe,  Maracatu, Pagode, Samba: Mundo Negro (O Rappa); Pérola Negra (Daniela Mercury); Mamma África (Chico César); Meu ébano (Alcione); A Loirinha, O Playboy E O Negão (Kelly Key); Olhos Coloridos (Sandra de Sá).
Máscara relacionada às produções às manifestações artísticas do continente Africano.
Brinquedos e brincadeiras: Usar o iitop, o mbube-mbube (ou o tigre e o impala) e a mamba, e jogos como o yote e a mancala. Iniciar contando a história do jogo e os valores da cultura africana presentes em cada um.

Religião
Irmandades religiosas

8.     ATIVIDADES INTERDISCIPLINARES

ü  Dinâmica introdutória do projeto: Para iniciar o tema proponha aos alunos que listem duas características físicas e duas características de seu caráter/personalidade. Recolha todas as listagens e, de forma lúdica, leia uma a uma para a classe instigando os alunos a descobrirem quem é o dono de cada característica. Após a brincadeira abra uma roda de conversa levando-os a refletirem sobre a dinâmica: O que percebemos com essa vivência? Existem pessoas exatamente iguais? Permita que os alunos expressem suas opiniões e, em um segundo momento, proponha que todos se observem atentamente e analisem as diferenças entre eles, levando em consideração os tipos de cabelo, as cores dos olhos e da pele, os formatos dos narizes e dos lábios, as alturas, etc. Para criar um clima mais afetivo introduza uma música ambiente tranqüila e permita o toque caso desejem.
ü     Roda de conversa: Debate: sobre o preconceito e a discriminação, baseados na aparência.
ü  Leituras Compartilhadas: de alguns artigos do Livro: “Declaração Universal dos direitos humanos” – adaptação Ruth Rocha e Otávio Roth, 2003; e “Menina bonita do laço de fita de Maria Helena Machado, Ed. Ática, 2007, etc.;
ü  Identificação de palavras pesquisadas através de caça-palavras;
ü     Palavras Cruzadas;
ü   Exibição de vídeos (filmes e documentários) como, por exemplo, clipes: ”Missa dos quilombos” – música de Milton Nascimento, etc.;
ü    Audição, análise e ilustração da música de Milton Nascimento “Uakti – lágrimas do sul”, “O conto das três Raças” (Clara Nunes) entre outras;
ü  Estudos de música, fazendo releituras e transformando-os em ilustrações pedagógicas para uma amostra cultural;
ü  Produção de biografias em grupos ou duplas de cantores brasileiros negros, ilustradas com caricaturas produzidas nas aulas de Artes Plásticas
ü   Exploração de receitas da culinária e chás trazidos da cultura afro-brasileira, abrindo espaço para degustação através de lanche coletivo;
ü   Produção textual: receitas propondo fazer porções mágicas para acabar com o racismo, a discriminação e o preconceito;
ü     Exposição de ervas presentes principalmente na cultura afro;
ü     Leituras reflexivas de reportagens jornalísticas e textos da atualidade que tratam sobre o tema;
ü     Registro de figuras de pessoas diferentes e de pessoas que admiram;
ü     Formação de painel coletivo com personalidades negras que alcançaram a fama;
ü  Confeccionar cartazes – recorte, pintura e colagem - com fotos de revistas que tratam da diversidade étnica brasileira e a cultura do negro (imagens de crianças do mundo inteiro, das diversas religiões, como se vestem e como são diferentes).
ü  Ilustrações dos trabalhos de Candido Portinari – “Menina com tranças e laços” fazendo uma analogia com o livro “Menina bonita do laço de fita” e “cabeça de negro”;
ü    Audição de músicas da cultura africana como o samba, a batucada;
ü    Confecção de chocalhos, atabaque e berimbau
ü    Construção de máscaras africanas;
ü     Pesquisas de músicas tipicamente africanas;
ü     Pesquisas de outras canções que abordam o tema;
ü     Criação, elaboração e montagem de coreografias;
ü     Criação e confecção de figurinos, adereços e instrumentos de percussão
ü     Releitura das obras de arte com argila ou papel marche estátuas de personagens negros;
ü     Produção em artes com sucatas podem ser confeccionados bonecos negros, personagens que podem interagir através de dramatizações;
ü     Observação do mapa mundi para localização do Brasil, África, Portugal;
ü      Verificação do caminho geográfico feito da África para o Brasil por meio do mapa Mundi;
ü      Construção de maquete de um quilombo;
ü       Exploração do calendário anual com observação de datas que marcam a história de negro;
ü      Júri Simulado: É uma técnica de aprendizagem que simula um julgamento, onde os alunos têm a oportunidade de argumentar e apresentas provas e evidências a favor ou contra o que está sendo julgado. Além da força da argumentação que se evidência, destaca-se a necessidade de emitir um julgamento de valor entre outros aspectos relevantes que podem ser trabalhados.



9.     CULMINÂNCIA
Exposição com os materiais coletados e produzidos pelas crianças em conjunto com o professor para que sejam apresentados em um mural na escola.

1   AVALIAÇÃO
A avaliação se constituirá em processo contínuo durante todo o projeto, de forma coletiva, nos momentos de trabalho e pesquisa, contar-se-á com a participação nas discussões e individualmente nas atividades realizadas, bem como na compreensão dos conceitos abordados.

  1 REFERÊNCIAS
Brasil. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Brasília. Jun. 2005.
DIEESE - Reportagem da revista Com Ciência, editada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, SBPC
Menezes, Waléria. O Preconceito Racial e suas Repercussões na Instituição Escola. Disponível em http://www.fundaj.gov.br/tpd/147.html
Santos, Genivaldo Pereira dos. Projeto Cultural - Um Olhar Negro. Disponível em: http://www.mundojovem.com.br/datas-comemorativas/consciencia-negra/projeto-consciencia-negra-um-olhar-negro.php

Consciência Negra. Paty Fonte. Disponível em: http://www.projetospedagogicosdinamicos.com/negro.htm

 




terça-feira, 7 de setembro de 2010

ALFABETIZAÇÃO

Olá pessoal esta postagem foi retirada de um blog muito especial O Bau de Idéias!


Alfabetização
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Dia 8 de setembro é o dia mundial da alfabetização. Alfabetizar ainda é um problema no meio educativo, seja nas escolas públicas ou nas particulares. Como se tudo que viesse depois dependesse dela, daí as discussões sobre o assunto. O que viria "antes" da alfabetização? E o que virá depois? Se pensar a alfabetização como o momento de aprender a "ler e escrever", há um antes e um depois. Alfabetização é geralmente entendida apenas como processo de ensinar e aprender as relações fonema e grafema, ou seja, a compreensão da natureza alfabética da língua. Entendo a alfabetização como uma ação de "alfabetizar letrando", portanto ao disponibilizar e abrir espaço para a leitura e escrita na sala de aula, faço da alfabetização um instrumento de inserção no mundo marcado pela cultura escrita onde vivem as crianças. A questão é perceber a ação de alfabetizar letrando, não como mais um “modismo” em educação, mas como a possibilidade de ser usuário das práticas sociais de leitura e escrita. Segundo Soares (2003):

Dissociar alfabetização e letramento é um equívoco porque, no quadro das atuais concepções psicológicas, lingüísticas e psicolingüísticas de leitura e escrita, a entrada da criança (e também do adulto analfabeto) no mundo da escrita se dá simultaneamente por esses dois processos: pela aquisição do sistema convencional de escrita – a alfabetização, e pelo desenvolvimento de habilidades de uso desse sistema em atividades de leitura e escrita, nas práticas sociais que envolvem a língua escrita – o letramento. Não são processos independentes, mas interdependentes, e indissociáveis: a alfabetização se desenvolve no contexto de e por meio de práticas sociais de leitura e de escrita, isto é, através de atividades de letramento, e este, por sua vez, só pode desenvolver-se no contexto da e por meio da aprendizagem das relações fonema-grafema, isto é, em dependência da alfabetização. A concepção “tradicional” de alfabetização, traduzida nos métodos analíticos ou sintéticos, tornava os dois processos independentes, a alfabetização – a aquisição do sistema convencional de escrita, o aprender a ler como decodificação e a escrever como codificação – precedendo o letramento – o desenvolvimento de habilidades textuais de leitura e de escrita, o convívio com tipos e gêneros variados de textos e de portadores de textos, a compreensão das funções da escrita (p.12).

Lerner (2002), ajuda a refletir:

Ensinar a ler e escrever é um desafio que transcende amplamente a alfabetização em sentido restrito. O desafio que a escola enfrenta hoje é o de incorporar todos os alunos à cultura do escrito (...) é necessário reconceitualizar o objeto de ensino e construí-lo tomando como referência fundamental as práticas sociais de leitura e escrita. Pôr em cena uma versão escolar dessas práticas, que mantenha certa fidelidade à versão social (não escolar), requer que a escola funcione como uma microcomunidade de leitores e escritores (p.17).


Devemos nos preocupar em dar às crianças ocasiões de aprender. A língua escrita é muito mais que um conjunto de formas gráficas. É um modo de a língua existir, é um objeto social, é parte de nosso patrimônio cultural (Ferreiro, 2001, p. 103).

Para "decifrar" posso usar um método analítico (silábico, fônico) ou um método analítico (contos, palavração, sentenciação, natural), mas alfabetizar é muito mais do que conhecer um método. Nas leituras que fiz de Freire (2003) e Ferreiro (2001) percebi a alfabetização como um processo que emerge do uso das práticas sociais de leitura e escrita. Porém, a alfabetização foi percebida por muitos professores apenas como decifrar a relação fonema/grafema, tornando-se o grande entrave na rede pública de ensino.

É importante conhecer bem os métodos, pois as crianças são diferentes, têm formas diversas de aprender e construir significados. Muitas vezes, um método apenas não dá conta de atender a todas as crianças, por isso, saber como cada aluno compreende a leitura e escrita pode ajudar no planejamento dos encaminhamentos do professor. É preciso ter segurança no que se faz em sala de aula, para isso é necessário estudar, buscar, pesquisar e conhecer boas metodologias.

A sala de aula é um ambiente alfabetizador, assim como toda a escola. A maneira como é organizada reflete a postura do professor. "Espalhar coisas escritas" não garante aprendizagem, é preciso que os escritos tenham significado para a turma. Nas paredes posso observar o alfabetário, os textos trabalhados com a turma e as produções das crianças. O "canto de leitura" é um lugar na sala onde as crianças podem manusear diversos suportes de leitura, podendo ler sozinho ou em grupo. Ir à sala de leitura (biblioteca) com a professora deve ser planejado para realização de atividades voltadas à leitura e à oralidade. Os textos espalhados pela escola (cartazes, murais, avisos, cardápios, etc) também oferecem oportunidade de leitura aos alunos.
Algumas dicas úteis:

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1) Identificar e considerar o estágio de desenvolvimento cognitivo da criança e o seu nível de evolução da escrita. Sugiro estas leituras:

2. Organizar atividades que permitam a manifestação oral e escrita da criança.

3. Propiciar o contato com variado material de leitura: livros, revistas, jornais, panfletos, convites, cartões, cartas, rótulos, bulas, receitas, instruções, etc. Pode-se ler mesmo antes de saber ler convencionalmente.

4. Ler para a criança.

5. Organizar atividades que gerem conflito cognitivo, a desequilibração e possibilitem a contrução de regras de leitura e escrita pela própria criança.

6. Estimular a escrita espontânea segundo a hipótese da criança. Muitas

7. Aprofundar os conhecimentos a partir da produção e da dificuldade das crianças. Trabalhando em grupo na escrita de textos.

8. Apresentar modelos de escrita para confronto e construção da escrita. Um exemplo de ditato para escriba.

9. Conhecer, localizar e atuar na zona proximal de cada estágio.
10. Veja aqui um exemplo de tabela sugerido pelo Guia de Planejamento e Orientações Didáticas do programa Ler e Escrever, da secretaria municipal de Educação de São Paulo para acompanhar o avanço do conhecimento dos alunos sobre o sistema de escrita:

11. Nesta página você encontra os links para as apostilas e os vídeos que integram o Programa de Formação de Professores Alfabetizadores (Profa), realizado pelo Ministério da Educação (MEC), em 2001:

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Referências do texto:
FERREIRO, Emilia. Reflexões sobre alfabetização. São Paulo: Cortez, 2001.
FRANCO, Ângela et alii. Construtivismo: uma ajuda ao professor. Belo Horizonte: Lê, 1997.
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se complementam. 45. ed. São Paulo: Cortez, 2003.
LERNER, Delia. Ler e escrever na escola: o real, o possível e o necessário. Porto Alegre: Artmed, 2002.
MEYER, Ivanise C. R. Brincar & Viver: Projetos em Educação Infantil