sexta-feira, 23 de setembro de 2011

"O ensino de qualidade sempre dependerá do professor"


Eugênio Mussak
"Professor é aquele que se limita a passar conteúdos. Já o educador trabalha com significados", diz Eugênio Mussak
Foto: Divulgação

A tecnologia em sala de aula faz maravilhas, não mágica. Segundo o educador Eugênio Mussako, somente o professor será capaz de despertar no aluno o amor pelo conhecimento.

O professor Eugênio Mussak, de São Paulo, chegou a se formar em medicina, mas largou o estetoscópio para se dedicar à educação, escrever livros e ministrar palestras. Ele venera sua biblioteca doméstica com 5 mil títulos, o que não o impede de se maravilhar com seu iPad. Mussak pertence à geração baby boomer (pós-Segunda Guerra Mundial), mas se infiltrou, com sucesso, na geração Y (os nascidos em berço digital).
Caçador de novidades, sim, mas, acima de tudo, educador. "Professor é aquele que se limita a passar conteúdos. Já o educador trabalha com significados, estimula a curiosidade do aluno", afirma. Em entrevista para revista Bons Fluidos, o autor de Motivação - Do Querer ao Fazer (Editora Papirus), entre outros títulos, explica por que os aparatos digitais, isoladamente, não são suficientes para incutir nos alunos o fascínio pelo conhecimento. E avisa: a corrida tecnológica não deve substituir o investimento pesado no desenvolvimento das pessoas.
A escola está muito distante da nova juventude?

No livro Memórias de Adriano (Edhasa), a francesa Marguerite Yourcenar conta a história desse imperador romano. Um dos capítulos aborda o conflito de gerações. Portanto, naquela época, o embate geracional já existia. E vai existir sempre. Uma geração difere da outra na maneira como percebe o mundo. Vivemos um período em que essas diferenças estão mais acentuadas. Os estudantes de hoje pertencem à chamada geração Y, formada por jovens que nasceram no mundo digital. Mas, a maioria dos professores ainda habita o mundo analógico.
Cabe ao professor correr atrás da tecnologia?

Você pode ser da geração baby boomer e ter uma cabeça equivalente à da geração Y. Vai da iniciativa de cada pessoa. Hoje, o mundo é digital e quem quiser competir tem de se adequar a essa realidade. Os professores que se interessam, se atualizam, levam demandas à direção da escola, são aqueles que usam com eficácia o projetor de slides, o retroprojetor, o giz. O educador deve batalhar pela evolução dos métodos de aprendizagem. E não é só isso. A educação é bastante ajudada pela tecnologia, mas esta é apenas um meio. Um acessório poderoso que pode facilitar e acelerar a dinâmica do ensino além de motivar o aluno. No entanto, há atributos analógicos que não podem ser desprezados, como os valores humanos: respeito, compaixão, tolerância. O papel da escola é transmitir esses valores em qualquer época. O que muda são os meios que ela utiliza para isso.
Quanto tempo vai levar para as instituições de ensino conseguirem se modernizar?

Estamos num processo de evolução que vai ser mais rápido em alguns lugares do que em outros, dependendo da condição financeira. A escola particular tem mais agilidade e facilidade para se equipar do que a pública, mas isso não é uma verdade absoluta. O poder público tem mais capacidade de investimento do que a iniciativa privada. O problema é que esse dinheiro é mal aplicado. Não falta verba. Falta, sim, competência e vontade. Além disso, há o fator individual. No mundo da educação, há professores e educadores. Seres completamente distintos. O primeiro é aquele que se limita a transmitir conteúdos, enquanto o segundo trabalha com significados e estimula a curiosidade do aluno.
Alguns educadores afirmam que a demanda por múltiplas tarefas, típica do ambiente digital, prejudica a capacidade de aprofundamento. O que você pensa sobre isso?

Quando a calculadora surgiu, discutiu-se se ela deveria ou não ser usada em sala de aula. Alguns educadores temiam que o aluno não desenvolvesse o raciocínio lógico. Outros diziam que o mais importante não era fazer conta, mas saber que conta tinha de ser feita. A calculadora que se encarregasse dessa tarefa. A meu ver, os dois lados têm razão. Há momentos em que o aluno tem de trabalhar o raciocínio lógico fazendo conta. Passada essa fase, ele ganha velocidade ao usar a máquina. A discussão em torno dos novos aparatos no fundo é a mesma. Meus alunos de pós-graduação usam notebook ou iPad. Acho ótimo, pois é como se estivessem anotando suas reflexões num caderno. Sem falar no alcance do aparelho. Recentemente, numa aula, citei dez livros. No final, um aluno veio me dizer que havia baixado todas as obras. Mas há de se manter o respeito. Eu me incomodo se estou numa aula ou palestra e vejo alguém acessando o SmartPhone. Isso equivale a estar conversando com alguém. O problema não é usar o aparelho. E, sim, me desrespeitar na medida em que estou ali oferecendo algo para ele enquanto ele se distrai com outra coisa.
Como mostrar o que é relevante no meio de tanta oferta?

A geração Y desfruta um senso de coletividade que nenhuma outra experimentou. Porém, sua superficialidade é preocupante. Quando se tem acesso a uma grande quantidade de informações, acaba-se aceitando o que é ofertado, sem aprofundamento ou questionamento. Convencer esses jovens a parar e ler um livro é um desafio para os educadores. E a oferta de informações só vai se intensificar. Eis o paradoxo da civilização. Festejamos a liberdade, que significa poder escolher. Mas a escolha traz ansiedade na medida em que pressupõe a renúncia. Isso vale para todos os aspectos da vida. A educação deveria servir - e, em alguns casos, felizmente, serve - para ajudar as pessoas a fazer as escolhas. Discernir entre o dever e o poder. Posso fazer isso? Se posso, devo?
O Plano Nacional de Banda Larga tem a meta de levar a internet a 40 milhões de brasileiros até 2014, com planos a preços populares. O que dizer dessa empreitada quando muitos jovens se formam no ensino médio sem dominar as ferramentas elementares da leitura e da escrita?

Antes de serem analfabetos digitais, milhares são do tipo funcional, porque não foram educados decentemente. Não adianta esse indivíduo ter acesso à tecnologia porque ele não vai saber usá-la nem vai se interessar por ela. Não podemos aceitar a exclusão digital, só que resolvê-la isoladamente não vai solucionar o problema. É preciso valorizar o professor, disponibilizar mais verba, focar a gestão da educação e zelar pela eficiência do sistema educacional. Vi no Paraná algumas escolas transformarem o entorno por serem reconhecidas pelos moradores como centros de referência. A diferença estava no diretor, que não pode ser apenas gerente e sim um líder que entende a escola como parcela importantíssima da sociedade.
As crianças e os jovens de menor poder aquisitivo ficarão ainda mais para trás do que estão atualmente?

Provavelmente esse fosso vai aumentar. Há escolas que já usam quadro eletrônico e filmes em 3D. Por outro lado, tudo vai depender de como esses recursos são usados. Um professor burocrático não vai saber tirar proveito dessas ferramentas. O fator humano ainda é preponderante. A vontade é mais importante que o conhecimento. O sujeito com conhecimento, mas sem vontade, não faz nada. A criatividade, a reivindicação, a mobilização e a liderança, ainda que compartilhada, continuarão sendo vitais. Não dá para esperar que o Ministério da Educação ou o reitor da universidade resolvam todos os problemas. No entanto, o governo está se mexendo. Há vida inteligente na educação pública.
Muita gente diz que o livro digital, uma realidade em muitas escolas particulares de primeiro escalão, substituirá o papel. Você concorda com isso?

Temos de aprender a diferenciar dilema de impasse. O impasse pressupõe o "ou". O dilema aceita o "e". Tenho uma biblioteca em casa com 5 mil livros. Não abro mão deles. Entretanto, estou usando meu iPad com gosto. O livro é uma das maiores conquistas da humanidade. Nós não vamos descartá-lo. Acredito fortemente nisso tanto quanto acredito que o livro impresso não vai impedir o avanço da versão eletrônica. Este é somente um recurso extra.
O ensino a distância está dando certo?

A educação a distancia não vai substituir a presencial. Ela veio para agregar. Especialmente num país do tamanho do nosso. Mas, a tecnologia, repito, é apenas o veículo. Os princípios pedagógicos devem prevalecer nesse novo modelo. Há momentos em que a interatividade é fundamental. Em outros, cabe ao aluno estudar sozinho, na hora que quiser ou puder. Mas o sistema permanece o mesmo. O educador deve fornecer a informação e ajudar o aluno a construir o conhecimento. O elo afetivo continua sendo primordial e ele surge quando o mestre faz com que o aprendiz goste de determinado assunto. Isso tem a ver com a paixão que o profissional deposita em seu ofício. Meus professores prediletos foram aqueles que demonstraram amor pelo conhecimento que estavam disseminando.


Dicas para seu filho virar um aluno nota 10

Seu filho não leva a escola a sério? Veja como ajudá-lo a se tornar um aluno exemplar

 "A falta de motivação entre os jovens é cada vez mais comum", diz a psicóloga Tatiana Lessa, autora do livro E Agora? Meu Filho Não Gosta de Estudar!. Quando o filho vai mal na escola, a mãe deve procurar a diretoria para entender o problema e eliminar a possibilidade de um distúrbio de aprendizagem, como a dislexia, ou de bullying. Confira outras dicas:

1. Ensine seu filho a estudar

Algumas crianças aprendem mais quando leem para si. Outras fazem resumos ou pedem para que alguém leia e faça perguntas. Faça esse teste com seu filho para que vocês dois descubram como ele estuda melhor.

2. Converse

Muitas vezes, as dificuldades de aprendizagem estão relacionadas à parte emocional da criança. O diálogo é importante para descobrir se ela é vítima de bullying, se está estressada ou se os problemas da casa estão afetando sua dedicação aos estudos.

3. Seja parceira da escola

O professor acompanha seu filho todos os dias e pode ajudar a encontrar uma solução. Por isso, nunca faça críticas a ele na frente da criança. O jovem sabe quando aquele profissional perde o valor e pode querer enfrentá-lo.

4. Descubra o talento dele

Toda criança tem dificuldade em algumas matérias e facilidade em outras. São as inteligências múltiplas. Peça para seu filho listar suas habilidades, como redação ou matemática. Isso vai ajudar você a desenvolver uma estratégia de estudos que estimule seus pontos fortes.

5. Se for preciso, apele para o reforço

A criança pode estar com dificuldade em alguma matéria por falta de conhecimentos básicos. Verifique essa possibilidade com o professor e, se necessário, peça reforço na própria escola ou com um amigo.

6. Dê autonomia

Não seja superprotetora. Se você incentiva seu filho a ser responsável e a ter disciplina com pequenas tarefas, como separar a roupa suja em casa e cuidar do bicho de estimação, estudar não vai ser um fardo tão grande, pois ele já estará acostumado. Dessa forma, ele ficará preparado para desafios maiores, como o vestibular.

7. Cobre

Veja se seu filho está cumprindo os horários e mostre que você está de olho. Elogie quando ele se comportar bem e dê algum castigo caso ele descumpra o acordo.

8. Elogie

Se os pais não acreditam nos seus filhos ou não demonstram isso, os pequenos deixam de acreditar no próprio potencial. Uma criança com a autoestima elevada pelas conquistas na escola se sente estimulada a continuar estudando.

9. Incentive a prática de esportes

A falta de uma atividade física pode levar a criança a gastar energia de forma negativa, como tumultuar a sala de aula.

10. Estimule a alimentação saudável

Seu filho come antes de ir para a escola? Estudar sem se alimentar direito pode prejudicar a memória e a atenção durante as aulas. Beber pouca água também pode causar sonolência.
 
 
 

Seu filho nunca obedece?

Ele não obedece. E agora? Você não aguenta mais chamar a atenção do pequeno porque ele faz o contrário do que é pedido. A psicóloga Suzy Camacho, de São Paulo, ensina a transformá-lo numa criança segura e flexível.


Como estimular?

Sinta-se autorizada a educar. Imponha regras e limites claros e exija que seu filho os respeite. Até os 7 anos é mais fácil, mas não perca as esperanças se o seu for mais velho. É importante também criar um forte vínculo afetivo com a criança. Aproveite ao máximo cada minuto que tiver com ela para dar carinho e atenção. Não é preciso enchê-la de presentes ou mimar demais, apenas brincar. Assim, o pequeno não precisará desobedecer para chamar a sua atenção e, quando você precisar impor uma regra, ele compreenderá facilmente.


O que mais ajuda?

Criar uma rotina reduz a ansiedade e aumenta a segurança da criança. Diálogos abertos e claros também são importantes, sempre com uma linguagem adequada à faixa etária e num tom de voz firme. Ao dar ordens, olhe nos olhos da criança e diga o que ela deve fazer uma única vez. Aguarde alguns minutos e verifique se ela fez o que você pediu. Se não, acompanhe-a durante a execução do pedido, sempre com muita calma. Repita o exercício até que ela se acostume a executá-lo.Oriente as babás a agirem da mesma forma para manter uma coerência na educação.
 

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

DÚVIDAS? LEIA, QUESTÕES SOBRE A EJA.


1- Esclarecimento sobre Reclassificação e a freqüência  em relação a porcentagem para ficar retido.
A freqüência do aluno reclassificado da lª fase para a 2ª fase ( ou de qualquer outra) deve cumprir carga horária de  no mínimo 75%, para fase que foi reclassificado, isto significa que nenhum aluno  pode ser reclassificado duas vezes no mesmo ano. Caso o aluno não cumpra os 75% de freqüência a que se refere a lei, o aluno deve ficar  “retido” ( não reprovado) na fase, sendo matriculado  no ano seguinte  na mesma fase até completar o 75% de freqüência.

2- Um aluno indígena pode fazer classificação das duas fases, ou  seja 1ª  fase do Em Médio e 2ª e ir direto para a 3ª  fase do Em Médio no mesmo ano escolar?
Não. A escola não pode reclassificar o aluno (qualquer aluno)  em duas fases ao mesmo tempo, e nem “pular” uma fase  na sua vida escolar. Este lapso trará conseqüências no futuro  (no histórico escolar)  do mesmo.
O que pode acontecer é  no caso de um aluno que foi classificado (aluno que não comprova a escolaridade anterior)  passar pelo processo de classificação e reclassificação no  mesmo  ano.

3- Reclassificação pode acontecer em qualquer fase?
Sim.

4- Após o período de reclassificação, aqueles alunos que não foram reclassificado se sentem desestimulados e chegam até desistir. Como estimular esses alunos  já que alguns como por exemplo da 2ªfase  não terão mais a possibilidade de passar por esse processo?
O processo de reclassificação não pode ser utilizado como um instrumento  de aligeiramento ou de supletivação. Os alunos ao se matricularem em uma escola da EJA, devem ser esclarecidos dos procedimentos legais utilizados pela escola para a garantia dos seus direitos no que se refere aos conhecimentos já adquiridos e ou construídos. Estes instrumentos não devem servir como atrativos para matricular alunos.Portanto uma boa conversa, ou bom esclarecimento devem ser feitos no ato da matricula.

5- O aluno que elimina 2  ou 3 disciplinas no provão de massa não querem mais freqüentar as disciplinas da EJA. A EJA ainda não reconhece o aproveitamento de disciplinas e como a escola deve proceder nesta situação para que os alunos não desistam?
As escolas devem “reconhecer” o aproveitamento de disciplinas eliminadas
nos exames supletivos e matricular o aluno na fase para a qual o mesmo se candidata (de acordo ao seu histórico escolar), com direito a cursar apenas as disciplinas não eliminadas.Estas disciplinas devem ser cursadas fase por fase (ano a ano).

6- Em proposta curricular por disciplina se um professor discordar da reclassificação do aluno, pode haver reclassificação para este aluno?
Sim. A escola deve definir sua proposta pedagógica no coletivo dos professores. Portanto o que for definido pela maioria deve ser cumprido por todos. Não se pode trabalhar com uma proposta pedagógica onde cada um faz o que quer.

7- Podem-se aferir notas em prova?
O programa estadual de educação de jovens e adultos prevê a avaliação através de relatórios, porém a escola pode utilizar diversos instrumentos de avaliação, fica a cargo da escola definir no seu  coletivos a proposta pedagógica da escola e por conseqüência os instrumentos de avaliação a serem utilizados.

8- Considerando que o aluno do noturno são trabalhadores pode-se trabalhar  até  22:30h?
A carga horária e dias letivos para EJA (modalidade da educação básica) são estabelecidos  pela LDB. Porém a carga horária diária  poderá ser estabelecida pela escola  considerando que  no período noturno a maioria dos alunos são trabalhadores. A escola deve utilizar a criatividade através de projetos que prevejam objetivo, execução, avaliação etc, a serem    trabalhados envolvendo professores e alunos  de maneira que não haja prejuízo de carga horária para os mesmos.

9- Quais os canais para obter verbas para EJA?
Aprovação do FUNDEB garantirá financiamento automático para EJA.

10- Diante das dificuldades de juntar os colegas para elaborar os projetos para a EJA, a escola pode utilizar  duas vezes por semana uma hora por período para estabelecer essas programações, dentro de sua carga horária?
Sim. Desde que se elabore um projeto para desenvolvimento de atividades intra ou extra escolares  com objetivos  específicos (outros) já citados acima.
De forma  que não haja prejuízo de ensino aprendizagem para os alunos.

11- A escola que tem a sua proposta com autorização vencida pode continuar com a EJA ou não? Ou tem que pedir nova autorização?
Sempre que a autorização  para a oferta esteja “vencendo”, a mesma deve ser solicitada 120 dias antes do vencimento para que não haja prejuízo na vida escolar do aluno.

12-Qual a base legal para reclassificação da 3ª fase do 2º segmento para a 1ª fase do 3ª segmento (Ensino Médio)?
A reclassificação está amparada pela LDB, e Resolução 150/99- CEE-MT e o Programa de Educação de Jovens e Adultos/ Resolução 177/02 CEE-MT.
Quando um aluno passa por processo de reclassificação (nesse caso do 2º segmento para o ensino médio)  fica garantida a terminalidade da fase ou etapa que cursa.

13- A idade mínima de 14 anos para a EJA e pára o ingresso na 1ª fase do 2º segmento ou na 1ª  fase do 2º segmento?
14 anos para o Ensino Fundamental  tanto para o 1º e 2º segmento e 17 anos para o Ensino Médio.

14-Frente a essa Realidade, onde a EJA é uma modalidade; onde a faixa etária se torna extremamente relevante. Por que a SEDUC não aceita que o número mínimo de alunos em sala de aula não possa ser  por exemplo (15 alunos) já que essa modalidade exige um tratamento diferenciado dos demais?
O número de alunos  a serem matriculados nas escolas é estabelecido por  Instrução Normativa da SEDUC, de acordo ao quadro de professores e alunos  e ainda a capacidade de financiamento por parte do Estado (percentual Legal). Não compete a Superintendência de Ensino e Currículo, estabelecer os critérios para atribuição de classes e ou aulas.

15-Para alunos da Educação de Jovens e Adultos que estudam a noite, só temos o domingo para realizar atividades extra escolares.O que fazer?
As atividades extra escolares de acordo as normas vigentes devem ser realizadas com o acompanhamento do professor(a),com projetos devidamente elaborados,com objetivos claros que possam ser executados, avaliados e socializados com todos os alunos da sala de aula.Mesmo que o docente não possa acompanhar o aluno diretamente nas atividades extras classes, este deve fazê-lo utilizando outras formas e/ou instrumentos. 

16-Qual a lei que regulamenta a reclassificação a qualquer momento?
A reclassificação é um instrumento utilizado para possibilitar a alunos defasados em idade escolar que possuam habilidade e competências comprovadas pelo conselho de classe a avançar para a série ou fase escolar seguinte. Esta prerrogativa está prevista na Lei 9394/96- LDB, regulamentado pela Res.150/99(final do 1º bimestre) e pelo Programa estadual para EJA aprovado pela Res.177/02(a qq. época do ano, menos no último bimestre por orientação da Seduc).

17-Como devem ser feitos o processo de classificação do aluno na regulamentação de documentos escolares e inserção nas séries? Através de “provas” ou faixa etária?
O processo de classificação de alunos se dá para situar alunos que não possuem documentos que comprovem a sua escolarização; que possuam conhecimentos construídos sem terem passado pela escolarização formal; ou outros sistemas de ensino; É realizado através de instrumentos avaliativos que possibilitem à escola “descobrir” ou localizar a fase em o aluno deve ser matriculado observado a idade do mesmo.

18- Este ano nós participamos de uma reunião na assessoria em Cuiabá, onde falamos sobre reclassificação. Nesta reunião nos foi dito que um mesmo aluno pode ser reclassificado várias vezes em um ano. Por exemplo passar da 1ª  para a 2ª fase e depois para a 3ª fase, porque o mesmo apresentou conhecimentos necessários. Como que fica a freqüência nesse caso?
  A reclassificação pode ser realizada várias vezes no ano pela escola, porém o aluno só pode passar pelo processo apenas uma vez durante no ano letivo.Nesse caso cumprindo o mínimo de 75% do percentual da carga horária na fase para qual foi reclassificado.

19-Existem escolas particulares que pegam alunos reprovados de outras escolas numa disciplina que o aluno reprovou, nessa escola ele consegue o diploma, está certo?
Existem escolas que têm autorização para a oferta do ensino por disciplina, considerando que o aluno que reprova por aprendizagem (progressão parcial) não tem que cumprir carga horária na disciplina, este pode matricular-se em uma escola que lhe possibilite recuperar conteúdos não apreendidos,em menor tempo.

20-O que a escola deve fazer para regularizar a vida do aluno que fez o provão de massa e não conseguiu passar em todas as disciplinas?
O aluno tem direito a matricular-se na escola, na fase correspondente as disciplinas que não logrou êxito nos exames supletivos, devendo cursar as disciplinas ano a ano, ao mesmo tempo em que pode continua realizando.

21-Se a EJA não determina a carga horária  mas  sim, a aplicação dos conteúdos, pergunto: por que então a EJA pode reter o aluno por excesso de faltas? E qual seria a solução a ser adotada caso não retenha?
 A  modalidade da EJA está regulamentada como educação básica , tendo que cumprir carga horária e dias letivos.  Outra modalidade de ensino. A solução deve ser buscada pela escola com projetos alternativos e flexíveis de atendimento aos alunos que lhes possibilite cumprir a carga horária exigida.

FUNÇÕES DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS


Função reparadora: não se refere apenas à entrada dos jovens e adultos  no âmbito dos direitos civis, pela restauração de um direito a eles negados – o direito a uma escola de qualidade, mas também  ao reconhecimento da igualdade ontológica de todo e qualquer ser humano de ter acesso a um bem real, social e simbolicamente importante, porém não podemos confundir a noção de reparação com a de suprimento. Para tanto, é indispensável um modelo educacional que crie situações pedagógicas satisfatórias para atender às necessidades de aprendizagem específicas de alunos jovens e adulto.

Função equalizadora: relaciona-se à igualdade de oportunidades, que possibilite oferecer aos indivíduos novas inserções no mundo do trabalho, na vida social, nos espaços da estéticas e nos canais de participação. Nessa linha, a EJA representa uma possibilidade de efetivar um caminho de desenvolvimento a todas as pessoas, de todas as idades, permitindo que jovens e adultos atualizem seus conhecimentos, mostrem habilidades, troquem experiências e tenham acesso a novas formas de trabalho e cultura.

Função qualificadora: refere-se à educação permanente, com base no caráter incompleto do ser humano, cujo potencial de desenvolvimento e de adequação  pode se atualizar em quadros escolares ou não-escolares. Mais que uma função, é o próprio sentido da educação e jovens e adultos.

QUADRO SINTESE DE MARCOS LEGAIS DA EJA


Década de 30
A educação de adultos começa a delimitar seu lugar na história da educação no Brasil.
Década de 40
Ampliação da educação elementar, inclusive da educação de jovens e adultos. Nesse período, a educação de adultos toma a forma de Campanha Nacional de Massa.
Década de 50
A Campanha se extinguiu antes do final da década. As críticas eram dirigidas tanto às suas deficiências administrativas e financeiras, quanto à sua orientação pedagógica.
Década de 60
O pensamento de Paulo Freire, assim como sua proposta para a alfabetização de adultos, inspira os principais programas de alfabetização do país.
Ano de 1964
Aprovação do Plano Nacional de Alfabetização, que previa a disseminação por todo o Brasil, de programas de alfabetização orientados pela proposta de Paulo Freire. Essa proposta foi interrompida com o Golpe Militar e seus promotores foram duramente reprimidos.
Ano de 1967
O governo assume o controle dos Programas de Alfabetização de Adultos, tornando-os assistencialistas e conservadores. Nesse período lançou o MOBRAL – Movimento Brasileiro de Alfabetização.
Ano de 1969
Campanha Massiva de Alfabetização
Década de 70
O MOBRAL expandiu-se por todo o território nacional, diversificando sua atuação. Das iniciativas que derivaram desse programa, o mais importante foi o PEI – Programa de Educação Integrada , sendo uma forma condensada do antigo curso primário.
Década de 80
Emergência dos movimentos sociais e início da abertura política. Os projetos de alfabetização se desdobraram em turmas de pós-alfabetização.
Ano de 1985
Desacreditado, o MOBRAL foi extinto e seu lugar foi ocupado pela Fundação Educar, que apoiava, financeira e tecnicamente, as iniciativas do governo, das entidades civis e das empresas.
Década de 90
Com a extinção da Fundação Educar, criou-se um enorme vazio na Educação de Jovens e Adultos.
Alguns estados e municípios assumiram a responsabilidade de oferecer programas de Educação de Jovens e Adultos.
A história da Educação de Jovens e Adultos no Brasil chega à década de 90 reclamando reformulações pedagógicas.
Ano de 1990
Acontece na Tailândia/Jomtiem, a Conferência Mundial de Educação para Todos, onde foram estabelecidas diretrizes planetárias para a Educação de Crianças, Jovens e Adultos.
Ano de 1997
Realizou-se na Alemanha/Hamburgo, a V Conferência Internacional de Educação de Jovens, promovida pela UNESCO (Organização das Nações Unidas). Essa conferência representou um importante marco, a medida em que estabeleceu a vinculação da educação de adultos ao desenvolvimento sustentável e eqüitativo da humanidade.
Ano de 1998
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB 9394/96, dedica dois artigos (arts. 37 e 38), no Capítulo da Educação Básica, Seção V, para reafirmar a obrigatoriedade e a gratuidade da oferta da educação para todos que não tiveram acesso na idade própria.
Ano de 2000
Sob a coordenação do Conselheiro Carlos Roberto Jamil Cury, é aprovado o Parecer nº 11/2000 – CEB/CNE, que trata das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos. Também foi homologada a Resolução nº 01/00 – CNE.
Em Mato Grosso, foi homologada a Resolução nº 180/2000 – CEE/MT, que aprovou o Programa de EJA para as escolas do Estado, a partir de 2002.