terça-feira, 9 de outubro de 2012

Como lidar com a birra?



Você não quer comprar doce no supermercado? Seu filho abre o berreiro. O amigo não quer emprestar o brinquedo? Ele chora e tenta bater no colega. Já está na hora de parar de brincar? Ele se joga no chão e esperneia. A birra e as explosões de raiva como essas são comuns entre as crianças pequenas, especialmente entre 1 e 3 anos, podendo se estender até os 6 em alguns casos. "As crianças dessa idade, quando se vêem diante de situações de frustração se expressam dessa forma porque ainda não sabem como controlar seus sentimentos e como expressar que não gostam de algo", explica Christine Bruder, psicóloga do bercário Primetime Child Development. Mas é papel dos pais ajudá-las a domar essas reações e ensiná-las a aceitar quando alguém lhe diz não. 

Autocontrole é uma lição importantíssima e que vai servir para toda a vida do seu filho. Veja as dicas dos especialistas:


O que é a birra?
É um comportamento que se observa quando a criança se vê em uma situação de frustração. "É uma resposta emocional intensa da criança a algo que a frustrou ou que ela pensa que vai frustrar. A birra pode envolver choro, gritos, se jogar no chão, ficar paralisado, ficar mudo, agredir-se, agredir, morder, unhar, urinar, parar de comer...enfim, um show de horrores para a maior parte dos pais", diz a psicóloga do Hospital São Camilo de São Paulo, Rita Calegari. As reações variam de criança para criança, assim como a intensidade. "A birra e as explosões emocionais como essas podem ser muito ou pouco freqüentes, dependendo de cada indivíduo", complementa Christine Bruder, psicóloga do bercário Primetime Child Development, em São Paulo.

Por que crianças pequenas reagem dessa forma?
As crianças costumam ter essa reação porque não são maduras ainda para lidar com a frustração. "Isso significa que podemos considerar esperado que uma criança pequena reaja assim. E essa é uma ótima ocasião para os pais trabalharem a aceitação do filho à frustração, orientando, explicando, enfim, ajudando para que ele supere essa fase", explica a psicóloga do Hospital São Camilo de São Paulo, Rita Calegari. Mas ela alerta que, infelizmente, reações como essas não são exclusividade das crianças. "Vemos muitos adultos descontrolados no trânsito, nas relações pessoais, no trabalho. Adultos também têm seus ataques de birra".

Como os pais devem reagir quando as crianças têm ataque de birra?
Em primeiro lugar, devem dar o exemplo, ou seja, devem mostrar que estão controlados. "O mais produtivo é que os pais mantenham a calma. E tentem descobrir o que está acontecendo com a criança, qual o motivo da insatisfação", diz Christine Bruder, psicóloga do bercário Primetime Child Development. Mas também é preciso ter em mente que nem sempre será possível estabelecer com a criança uma conversa nessa hora. 

"Deixe-a fazer a birra, não fale muito (ela não vai ouvir mesmo), espere passar, proteja-a para que não se machuque e quando ela estiver mais calma, aí sim, converse", diz a psicóloga do Hospital São Camilo de São Paulo, Rita Calegari. "Como parte da birra envolve chamar atenção, quando a criança ficar birrenta evite que todo mundo fique dando atenção (lembre-se que atenção de pai e mãe vale ouro pra criança). Leve-a para um local reservado, monitorando-a. Não a deixe sozinha sem supervisão de um adulto", acrescenta a psicóloga.


Há como prever um ataque de birra?
Sim. "Lembre-se de que é como ferver leite: depois de um certo ponto da fervura, mesmo se você desligar o fogo, o leite vai subir e derramar. O ideal é ficar atento antes do leite ferver, ou seja, estar atento à criança para evitar o ataque", diz Rita Calegari do Hospital São Camilo de São Paulo.

Colocar de castigo funciona nesses casos?
Castigar a birra é muito complicado, segundo alerta a psicóloga do Hospital São Camilo de São Paulo, Rita Calegari. "Não é garantia de que outra crise não ocorrerá. O que funciona é os pais manterem uma postura enérgica: após a birra, converse com a criança dando-lhe apoio para entender seu comportamento e formas saudáveis de como lidar com a frustração. Explique porque não pode, explique que os adultos também passam por isso e como reagem, dê seu exemplo, peça cooperação da criança", diz Rita.

Os pais devem falar mais alto que a criança quando ela faz birra?
Não, pelo contrário, isso não vai ensinar nada de útil ao seu filho. Dará apenas o exemplo errado. "Será uma criança imatura com um adulto aparentemente descontrolado interagindo", diz a psicóloga do Hospital São Camilo de São Paulo, Rita Calegari.

Se o ataque de birra acontecer em público como reagir?
Com muita calma e autocontrole. E sem ceder ao que foi negado ao filho. "Os pais, normalmente envergonhados, querem fazer a criança parar e acabam cedendo à pressão dos filhos. Relaxe: todo mundo que tem filho já viu isso antes e quem não viu, se for pai um dia verá", aconselha a psicóloga do Hospital São Camilo de São Paulo, Rita Calegari. Importante também é não deixar a criança sozinha e tentar levá-la para um local mais reservado, se for possível, para esperar que ela se acalme, conforme recomenda a psicóloga Christine Bruder.

É importante conversar após um ataque de birra, para discutir o ocorrido?
Sim. Mas não faça um longo sermão. Crianças pequenas não prestam atenção a conversas longas e cheias de argumentos. "Os pais devem falar com calma, usando poucas palavras. Não adianta falar muito, porque o conteúdo da conversa não vai ser compreendido", diz Christine Bruder, psicóloga. O fundamental, segundo ela, é explicar a criança o que ela sentiu durante o descontrole emocional, nomear o sentimento e dizer como ela deve lidar com ele. "Algumas crianças vão querer colo depois da explosão, para se acalmar. Outras não vão querer ser tocadas. É preciso respeitar", diz Christine.

Quando os pais não lidam corretamente com a birra quando a criança é pequena, ela poderá continuar tendo os ataques quando mais velha?
"Sim ! Olhem os jovens, os adolescentes e os adultos que temos por aí!", diz a psicóloga do Hospital São Camilo de São Paulo, Rita Calegari. Ela ressalta que frustrações fazem parte da vida, sempre. "Todos sentimos frustração, em diferentes etapas de nossa vida: o primeiro amor que acaba, o vestibular que não é aprovado, o emprego que não conseguimos, a promoção que não vem, o amigo indisponível, o salário que não chega. Pena que quando crescemos, buscamos formas nem sempre saudáveis de lidar com a frustração, como drogas e álcool", alerta a psicóloga.

Como os pais devem lidar quando sabem que o ataque de birra acontece na escola?
Converse com os professores e coordenador pedagógico para entender as causas e trabalhar em conjunto na busca de soluções. Essa é a recomendação da psicóloga Rita Calegari.

O que os pais podem fazer para evitar que os ataques de birra ocorram?
Crianças pequenas precisam de rotina e previsibilidade. Por isso, segundo Christine Bruder, psicóloga, é interessante preparar a criança para a situação que ela for enfrentar. Se forem ao shopping, por exemplo, estabeleça as regras do passeio, diga se irão ou não comprar algo para ela, quanto tempo ficarão por lá, etc. "Também é preciso respeitar o descanso da criança. Quando ela está cansada ou doente, é mais fácil ocorrer a birra", diz ela. Depois no retorno do passeio, é interessante dar um retorno para a criança de como foi seu comportamento. "Isso ajuda muito, pois ela passa a entender o que os pais esperam dela. A criança pequena deseja agradar os pais e ficará feliz com o orgulho deles. Devemos como pais valorizar o acerto da criança, pois acabamos dando mais atenção ao que ela faz de errado", diz a psicóloga Rita Calegari.

Alguns pais costumam dar tapinhas nos filhos durante ataques de birra. É correto?
Bater é um tipo de repressão, mas não educa. "Pode até ser útil em algum momento, mas não educa. O que educa é o diálogo, o exemplo, a insistência, a coerência. Que os pais não se enganem: a tarefa deles é educar", diz a psicóloga Rita Calegari.

Qual o risco quando os pais cedem e fazem o que a criança pede durante um ataque de birra?
Novos (e possivelmente mais potentes) ataques de birra, conforme alerta a psicóloga Rita Calegari.

4 passos da alfabetização digital



Ser alfabetizado, saber ler, escrever e as quatro operações matemáticas, já se sabe há muito tempo, é requisito para a plena inserção do cidadão na sociedade. Mas, na medida em que a sociedade se organiza cada vez mais em torno da internet, criando a "Sociedade da Informação", outra alfabetização além desta é necessária: a alfabetização digital. Assim como não aprendemos automaticamente a escrever quando ganhamos uma caneta ou um lápis, também não aprendemos a usar todas as potencialidades do computador e da internet sem um treinamento adequado. 

Quais são as habilidades chaves desta nova alfabetização? A aprendizagem de ferramentas de comunicação digital e a existência de redes para acessar, manipular, criar e avaliar informação, segundo a Comissão Européia para a promoção da alfabetização digital. Ou, como define o educador Celso Niskier: "aprender a colaborar, aprender a usar a informação, aprender a resolver problemas e aprender a aprender".


Estar incluído digitalmente
Em primeiro lugar, é preciso estar "incluído". Isso significa ter acesso a um computador e à internet. A construção de telecentros em bairros periféricos, por exemplo, tanto pela iniciativa pública quanto privada é altamente necessária neste contexto. O uso de softwares livres, os programas de computador que podem ser baixados livremente na internet sem a necessidade de pagar por eles, também é outro ponto importante, pois baixa drasticamente o custo de instalação de programas no computador. 

Para medir a inclusão digital num país, não basta quantificar o número de computadores por casa. Este método é bastante usado, mas não é um indicador preciso. Outras medidas importam, como o tempo que o indivíduo tem para acessar a rede, a qualidade do acesso e a constante atualização de hardware, a parte física dos computadores, e de softwares, os programas que usamos. Além disso, o potencial de aproveitamento da inclusão digital dependerá diretamente da capacidade de leitura e interpretação da informação pelo usuário. Assim, combater a exclusão escolar é também combater a exclusão digital. A alfabetização básica é o início da oportunidade de condições para o uso do computador e da internet.



Dominar a tecnologia: conhecimento do hardware e de diversos softwares
Depois de ter acesso, aprender o funcionamento básico do hardware, ou como funciona a parte física do computador, é o primeiro passo para se ter domínio sobre com salvar e transportar informação para outros computadores. Saber que existe uma memória rígida na máquina, onde gravamos o conteúdo que nos interessa, por exemplo, e depois quais são e como usar os dispositivos móveis de memória, como o CD-ROM, o disco removível (pen drive), possibilita uma primeira apropriação do computador. Em paralelo a este conhecimento, é preciso desenvolver o aprendizado dos softwares, os programas que se usa para diversas funções. Para elaborar um currículo é necessário aprender a manipular um "processador de texto". O mais conhecido deles é o "Word", programa da empresa Microsoft. O Word está dentro de um conjunto de aplicativos para computador chamado "Office", que reúne outros programas muito usados no mercado atual de trabalho: o Excel, para desenvolver planilhas de cálculos e organizar diversos dados e o Power Point, muito usado para a apresentação de resultados ou projetos em empresas e cursos. Depois, para mandar o currículo elaborado, é preciso saber usar um navegador na internet, usado para a visualização das páginas, como o Firefox e o Internet Explorer. 

Outra alternativa é usar o pacote "Open Office", conjunto de softwares gratuitos, possíveis de serem acessados através da internet. Este treinamento básico geralmente é oferecido em cursos para iniciantes, tanto em escolas pagas, como em iniciativas gratuitas nos Telecentros, por exemplo.



Adquirir conhecimentos e habilidades para buscar, selecionar, analisar, compreender e recriar informações acessíveis digitalmente
Se você retira um livro na biblioteca, identifica rapidamente quem é o autor, quais os outros livros ele escreveu, lê a orelha da capa e já sabe o que esperar do conteúdo. Na internet, em um ambiente com milhares de páginas de conteúdo que aparecem de forma fragmentada, contextualizar a informação que se acessa através de buscadores como o Google não é tarefa das mais fáceis. Por isso, conhecer as principais formas de busca de informação na internet, ter critérios para selecionar e reconhecer qual é o volume de informações necessário para resolver determinado problema, analisá-las e compreendê-las de forma crítica, assim como não acreditar piamente em tudo que está escrito antes de interpretar o contexto é fundamental para aproveitar com qualidade o grande banco de dados que é a rede. 

Usar de forma eficaz a informação encontrada em função de um objetivo previamente determinado é um parâmetro para identificar um bom desenvolvimento nestas competências. Às vezes, achamos um site e acreditamos que ele é a única fonte daquelas informações. Mas é preciso tomar cuidado, pois muitas vezes o que está ali pode ter sido copiado de qualquer outro lugar, até de um livro, e não apresentar a referência correta. Saber identificar isso é fundamental para o uso da internet como fonte de pesquisas escolares, e é necessário "alfabetizar" os jovens neste uso. 

Na sala de aula, uma forma de incentivar o desenvolvimento destas habilidades é fazer com que o aluno construa um pequeno banco de dados de informações sobre um determinado tema, selecionando o que é importante e o que não.



Usar a tecnologia no cotidiano, não só como entretenimento e consumo, mas também como meios de expressão e comunicação com a comunidade
Aprender a partilhar informação em redes sociais, fóruns de discussão, e-mails, blogs e sites é outra função importante da alfabetização digital. Em uma pesquisa sobre exclusão digital feita pelos pesquisadores Bernardo Sorj e Luís Eduardo Guedes, as pessoas que acessavam a internet pela primeira vezes nas favelas do Rio de Janeiro tinham dificuldade em mandar e-mail, pois suas redes de relações sociais não estavam incluídos digitalmente. Então como partilhar informações com a comunidade se ela não está online? 

Cada rede social e ferramenta de publicação na internet é direcionada para um determinado tipo de experiência, apesar das pessoas poderem fazer o uso que quiserem destas ferramentas. Um blog pode ser um diário online, um caderno de receitas aberto, ter textos de ficção ou jornalísticos, e pode ser também usado para fins educativos. O Orkut pode ser usado para conhecer pessoas e conhecê-las no mundo real, ou não. A amizade pode ser virtual e trazer novas informações para os envolvidos. Já um site serve como um arquivo de textos, informações, fotos, enfim, tudo o que o autor quiser disponibilizar para seu público leitor. 

A mais nova ferramenta que mistura mensagem instântanea, como uma mensagem de texto no celular, blog e rede social é o Twitter. É só acessar e criar um cadastro gratuito. Depois disso, é possível importar contatos que estão nos e-mails pessoais e começar a "seguir" seus amigos, que serão a sua rede social. Você poderá ver todo o conteúdo digitado pelas pessoas seguidas, e vice-versa: quem segue você pode ver o que você escreve. 

Links: 

Para entrar em redes Sociais 

Para fazer Blogs 

Para fazer sites

O que não pode faltar na creche





Os primeiros três anos de vida do ser humano compõem um período muito especial de aprendizado. Ainda "recém-chegada", a criança está cheia de curiosidade e possui um enorme potencial para assimilar conteúdos bem diversificados. Para a psicóloga e psicopedagoga do Infans - Unidade de Atendimento ao Bebê Denise Argolo Estill, de São Paulo, nesse período "o mundo é algo a experimentar e conhecer por meio dos órgãos, dos sentidos e das ações corporais." Para isso, a garotada precisa de objetos concretos para agarrar, ouvir, alcançar com a boca, sentir com a pele. Ou seja: aprender. 

Ainda de acordo com Denise, nessa faixa etária, além de incentivar o uso do corpo para descobrir texturas, temperaturas, aromas e sabores, é essencial também estimular a linguagem verbal e a imitação. Tudo isso "entendo a necessidade de reproduzir gestos e falas e procurando valorizar a expressão individual de cada um", completa a estudiosa.


Brincadeira
Por que trabalhar: Embora a brincadeira seja uma atividade livre e espontânea, ela não é natural, mas uma criação da cultura. O aprendizado dela se dá por meio das interações e do convívio com os outros. Por isso, a importância de prever muito tempo e espaço para ela. "Temos a capacidade de desenvolver a imaginação - e é essa habilidade que o brincar traz", diz Zilma de Oliveira, da Universidade de São Paulo (USP). 

O que propor: Uma das primeiras brincadeiras do bebê é imitar os adultos: ele observa e reproduz gestos e caretas no mesmo momento em que acontecem. Com cerca de 2 anos, continua repetindo o que vê e também os gestos que guarda na memória de situações anteriores, tentando encaixá-los no contexto que acha adequado. Tão importante quanto valorizar essas imitações é propor ações físicas que possibilitam sensações e desafios motores. "É pela experimentação que a criança se depara com as novidades do espaço, sente cheiros e percebe texturas, tamanhos e formas", explica Ana Paula Yasbek, coordenadora pedagógica da Escola Espaço da Vila, em São Paulo. 

Alguns brinquedos também fazem sucesso nessa fase. Os mais adequados são os de peças de montar, encaixar, jogar e empilhar, além dos que fazem barulho. É preciso ter cuidado com a segurança e só usar objetos maiores do que o tamanho da boca do bebê quando aberta. 

Para um trabalho eficiente, uma boa estrutura é essencial. Isso inclui ter material suficiente para que todos consigam compartilhar e um bom espaço de criação. "Os ambientes devem ser convidativos e contextualizados com a história que se quer construir", diz Ana Paula. Uma área ao ar livre, mesmo que com poucas árvores, vira uma grande floresta. Uma sala bem cuidada, rica em cores e com variedade de brinquedos e estímulos igualmente possibilita momentos criativos, prazerosos e produtivos. 

Isto dá certo: Em Vitória, capital capixaba, a brincadeira é parte da rotina diária da CMEI João Pedro de Aguiar. As salas das turmas de 2 anos, por exemplo, são divididas em cantos. Num deles ficam os brinquedos de madeira para montar. Noutro, bichos de pelúcia e bonecas. Num terceiro, livros. Tudo em uma altura que permita a todos pegar o que querem sem ajuda. Diariamente, a classe passa um bom tempo no pátio, em que uma área é forrada de areia e outra acomoda brinquedos de plástico, como escorregador e cavalinho de balanço. "Ali, os pequenos correm e encontram amigos de outras turmas para que tenham a oportunidade de viver novas situações", diz a coordenadora pedagógica Wanusa Lopes da Silva Zambon.


Linguagem oral
Por que trabalhar: Quando o bebê se expressa com gritos ou gestos, ele tem uma intenção. "Mesmo os que têm pouco vocabulário ou que ainda não falam com desenvoltura estão participando da atividade comunicativa de forma competente e correta", diz Maria Virgínia Gastaldi, Editora de Educação Infantil da Editora Moderna. Para que a linguagem oral se desenvolva, cabe ao professor reconhecer a intenção comunicativa dos gestos e balbucios dos bebês, respondendo a eles, e promover a interação no grupo. 

O que propor: Desde muito cedo, cantigas de roda, parlendas e outras canções são meios riquíssimos de propiciar o contato e a brincadeira com as palavras e de estimular a atenção a sua sonoridade. "O burburinho das conversas entre os pequenos, falando sozinhos ou com os outros, é riquíssimo. Não se admite mais a idéia de manter a sala em silêncio, com aparência que está tudo ‘sob controle’", diz Regina Scarpa, da Fundação Victor Civita. 

As rodas de conversa, feitas diariamente, são uma oportunidade de praticar a fala, comentar preferências próprias e trocar informações sobre a família. Nessa situação, há a interação com os colegas e aprende-se a escutar, discutir regras e argumentar. Quanto menor for a faixa etária do grupo, mais necessária será a interferência do educador como propositor e dinamizador dos diálogos. 

Isto dá certo: Todos os dias, a turma de 2 anos da EMEB Valderez Avelino de Souza, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, participa de rodas de conversa. Nessa fase, acontecem relatos de experiências pessoais no bate-papo, além da invenção de outros elementos. Foi o que aconteceu no dia em que um dos pequenos contou que tinha visto um tubarão. "Outro completou dizendo que aquilo tinha sido na praia e um terceiro falou que nadava como o bicho", conta a coordenadora pedagógica Pétria Ângela de Jesus Rodrigues Ruy dos Santos. A professora foi puxando o assunto e encaminhando a conversa. Um garoto, que até então estava quieto, saiu-se com esta: "Meu pai pescou um tubarão. Ele era enorme. Professora, quer ir pescar com meu pai?" Sabendo que é muito comum nessa fase mesclar informações reais com outras tiradas da imaginação, ela, é claro, aceitou o convite.


Movimento
Por que trabalhar: O movimento é a linguagem dos pequenos que ainda não falam e continua sendo a maneira de se expressar daqueles que já se comunicam com palavras. "O pensamento é simultâneo ao movimento e, por isso, não se pede que eles fiquem sentados ou quietos por muito tempo. Evitar que se mexam é o mesmo que impedi-los de pensar", explica Maria Paula Zurawski, assessora de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. Portanto, quanto mais o professor incentivar o movimento, maior será o aprendizado de cada um sobre si mesmo e o desenvolvimento da capacidade de expressão. 

O que propor: O bebê precisa participar de atividades que ampliem o repertório corporal para que percorra um caminho de gradativo controle dos movimentos até conseguir se levantar e andar. Aos poucos, ele passa a ter consciência dos limites do corpo e da conseqüência de seus movimentos. São situações indicadas para o amadurecimento motor passar por obstáculos como túneis, correr e brincar no escorregador. 

Os espaços da creche devem ser desafiadores e, ao mesmo tempo, seguros. São ambientes propícios para as atividades desse tipo tanto o pátio como a sala. Ali, são colocados bancos ou caixas que sirvam de apoio para os que estão começando a andar e ficam distribuídos brinquedos de equilíbrio. Enquanto a turma se mexe para lá e para cá, não se perde um lance. Um educador atento sabe quando um suspiro revela cansaço ou uma careta demonstra algum desagrado. 

Isto dá certo: Brincar, dormir, mamar, almoçar e dançar acompanhando o ritmo da música. A turma de 1 ano da CEI Cidade de Genebra, em São Paulo, não pára quieta. "Logo que acordam, os bebês tomam mamadeira e saem dos colchonetes quando querem. Como não há berços, eles têm liberdade para se movimentar", diz a professora Anali Pereira dos Reis. No solário, com brinquedos de plástico e espaço para correr, eles escorregam, se balançam na gangorra e andam no cavalinho. Mesmo tão novinhos, já são craques no sobe-e-desce e no equilíbrio. Faz pouco tempo que aprenderam a andar, mas já entram nos carrinhos de plástico e saem dele sem ajuda e se divertem passando por dentro de bambolês, dando cambalhotas e rolando nos colchões.


Arte
Por que trabalhar: A música e as artes visuais são dois meios de os pequenos entrarem em contato com o que ainda não conhecem. Nessa fase, as linguagens se misturam e um mesmo objeto, como um giz de cera, pode ser usado para desenhar ou batucar. "Aqueles que têm oportunidade de participar de atividades nessas áreas certamente desenvolvem mais a capacidade cognitiva", diz Silvana Augusto, formadora do Instituto Avisa Lá. 

O que propor: Quanto mais variadas as experiências apresentadas, maior a garantia de qualidade no desenvolvimento do grupo. Escutar sons, como os produzidos por batidas em várias partes do próprio corpo e pela manipulação de objetos, ouvir canções de roda, parlendas, músicas instrumentais ou as consideradas "de adulto" faz a diferença nessa fase. Além de ouvir e repetir um repertório já conhecido, a turma deve ser orientada a improvisar e criar canções, brincar com a voz, imitar sons de animais e confeccionar instrumentos. "A música contribui para um desenvolvimento pleno e harmônico, já que incide diretamente na sensibilidade, na expressão e na reflexão", afirma Teca Alencar de Brito, co-autora do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. 

Da mesma maneira, o ideal são atividades de artes visuais diversificadas. Uma boa prática inclui desenhos - e não o preenchimento de modelos prontos -, pinturas ou esculturas usando diversos materiais e possibilitar o contato com novos recursos visuais para ampliar as referências artísticas. As produções da classe ficam à disposição para que sejam observadas e comentadas e para que cada um reconheça o que é de sua autoria. 

Isto dá certo: No EMI Josefina Cipre Russo, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, artes visuais e música fazem parte do cotidiano dos pequenos de três anos. Eles criam instrumentos com materiais reciclados e acompanham as músicas dançando e cantando. No dia-a-dia, eles desenham com giz, lápis, guache e aquarela, fazem esculturas e mexem com massinha e tintas comestíveis. Assim, a turma sente cheiros e texturas e aprecia cores diferentes. "As tintas são caseiras e dá para limpá-las facilmente. Colocar na boca ou deixar cair na roupa não é problema", diz a diretora, Eliane Migliorini.


Identidade e autonomia
Por que trabalhar: O bebê nasce em uma situação de total dependência e, pouco a pouco, necessita se tornar autônomo. "Enquanto adquirem condições para realizar ações, as crianças começam a saber das conseqüências de suas escolhas", explica Beatriz Ferraz, coordenadora pedagógica do Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária, em São Paulo. Autonomia e identidade se desenvolvem simultaneamente e, mesmo num ambiente coletivo, é preciso dar atenção individualizada às crianças. 

O que propor: As melhores experiências são as pautadas pelo relacionamento com os outros e pela demonstração de preferências. "Se a criança não tem opção, como vai decidir?", diz Cisele, do Avisa Lá. É essencial oferecer possibilidades - na hora da brincadeira ou da merenda, por exemplo - para que os pequenos sejam incentivados a se conhecer melhor e a optar. Ao servir os alimentos sem misturá-los, o educador permite a cada um identificar aquilo de que mais gosta. Oferecer a colher para que todos comam sozinhos também é primordial. Por meio da observação, uns aprendem com os outros. Mesmo que no começo façam sujeira e demorem para se alimentar, aos poucos adquirem a destreza do movimento. 

A organização do ambiente em cantos de atividades é outro meio de favorecer o exercício de escolha, já que cada um define onde brincar, com quem e por quanto tempo. Para ajudar na construção da identidade, cabe ao educador chamar cada um pelo nome e ressaltar a observação dos aspectos físicos individuais. "Colocar grandes espelhos nas salas, ter fotos de cada um junto dos cabides em que penduram as mochilas, identificar as pastas com o nome e um desenho, por exemplo, são ótimas maneiras de estimular a atenção para as próprias características e fazê-los perceber a diferença e semelhança em relação aos colegas", diz Cisele. 

Isto dá certo: Na turma de dois anos da CEI Jacyra Pimentel Gomes, em Sobral, a 248 quilômetros de Fortaleza, cada criança vê o nome escrito, reconhece a própria foto e aprecia imagens da família nas paredes da sala. A coordenadora pedagógica Carlinda Maria Lopes Barbosa diz: "Cada um entende que é diferente do amigo por ser identificado de outra maneira". Para reforçar esse aprendizado, explica-se que existem objetos que são compartilhados e outros individuais, como a mochila e as roupas.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Como ensinar a resolver situações problema


Para se resolver um problema de matemática (ou qualquer problema!), você precisará, antes de tudo, estar muito atento! Desligue a TV, o game, ou o que seja (se estiver em casa), ou se estiver na escola, acorde!

Leia com muita atenção o enunciado para entender o que se pede

Esta é a etapa fundamental para se resolver um problema! Nada vai adiantar se você ler com pressa e sem atenção, e tentar sair resolvendo o problema de qualquer maneira, ou "chutando" o que deve ser feito!

Sua mãe pede para que você vá no mercado e compre uma dúzia de laranjas, uma caixa de ovos, meia-dúzia de maçãs, um quilo de arroz, quatro garrafas de refrigerante e um litro de leite.

Tudo bem, tudo bem, você vai ao mercado e... O que era mesmo? Você não prestou muita atenção, e agora...? Com certeza, se você sair comprando um monte de coisas que não tem nada a ver com o que sua mãe pediu, ela vai ficar, no mínimo, uma fera! No caso de uma prova de matemática, da mesma forma, não vai adiantar responder qualquer coisa, mas tem que atender ao que foi pedido, pois na matemática, embora haja várias maneiras de resolver uma questão,  existe uma resposta correta, não adianta enrolar!

Em segundo lugar, tente dividir o enunciado em partes. Isto é muito importante, principalmente quando o enunciado tem muitas informações e/ou muitas perguntas. Senão você provavelmente ficará confuso! Esta etapa é muito importante, pois é aqui que você vai determinar todos os passos seguintes. Evite ficar confuso nesta parte!

Marina tinha R$ 155,00. Seu irmão pediu emprestado R$50,00. Mais tarde, Marina foi à banca e comprou 10 figurinhas, cada uma custando R$ 2,00. Com o que sobrou do dinheiro, Marina foi ao Shopping e comprou um livro, pagando em 5 parcelas iguais, não sobrando nenhum dinheiro depois disso. Quanto custou cada prestação do livro?

Não se desespere! Se você dividir o problema em partes, tudo vai ficar mais simples! Como assim, dividir em partes? Pegue o seu lápis e separe as frases do enunciado, de forma que cada parte contenha uma informação que você entenda.

Sempre divida um problema muito difícil (ou grande) em etapas, onde cada etapa pode ser entendida (ou resolvida) com mais facilidade.

Veja como dividimos o enunciado deste exemplo, usando colchetes ("["): [Marina tinha R$ 155,00.] [Seu irmão pediu emprestado R$50,00.] [Mais tarde, Marina foi à banca e comprou 10 figurinhas, cada uma custando R$ 2,00.] [Com o que sobrou do dinheiro, Marina foi ao Shopping e comprou um livro, pagando em 5 parcelas iguais, não sobrando nenhum dinheiro depois disso.] [Quanto custou cada prestação do livro?]

Não iremos resolver este problema agora, mas tente entender como dividimos o enunciado em partes mais simples.

De acordo com as partes separadas, identifique o que é "dado" (informação fornecida no enunciado, no texto) e o que é "pedido" (o que se pede como resposta ou respostas, o que você vai fornecer).

Identifique o que é dado e o que é pedido.

Para isso, você irá considerar somente o que é importante. Você já sabe o que é dado e pedido no exemplo anterior? Vamos circular o que é dado, e sublinhar o que é pedido!

[Marina tinha R$ 155,00.] [Seu irmão pediu emprestado R$50,00.] [Mais tarde, Marina foi à banca e comprou 10 figurinhascada uma custando R$ 2,00.] [Com o que sobrou do dinheiro, Marina foi ao Shopping e comprou um livro, pagando em 5 parcelas iguais, não sobrando nenhum dinheiro depois disso.] [Quanto custou cada prestação do livro?]

Organize o que você identificou (dado e pedido), antes de começar a tentar resolver o problema.

Organize-se antes de começar a resolver o problema.

No exemplo anterior, vamos então escrever assim, antes dos cálculos a serem feitos:

Dados:
Valor inicial: R$ 155,00.
Valor emprestado: R$ 50,00.
Compra na banca: 10 figurinhas a R$ 2,00 cada.
Compra do livro: 5 parcelas iguais do que sobrou.
Valor final: R$ 0,00 (não sobrou nada).

Pedido:
Quanto custou cada prestação do livro?

Agora sim! Vamos resolver o problema por etapas, de acordo com toda a nossa organização até agora. Não tivemos todo este trabalho à toa!

Resolva o problema por etapas

Solução:
1- Empréstimo:                               2- Figurinhas
R$ 155,00                                           R$ 2,00
- R$ 50,00                                                x 10
---------------                                       ---------------
R$ 105,00                                        R$ 20,00

3- Sobrou:                                      4- Livro:
R$ 105,00                                R$ 85,00 ÷ 5
- R$ 20,00                                   = R$ 17,00
---------------
R$ 85,00

Ainda não acabou! Ao final, escreva a resposta completa, de acordo com o pedido:

Como ficou então o nosso exercício completo? Com certeza, bem organizado e caprichado, e, melhor ainda, conseguimos resolvê-lo! Aí está:

PROBLEMA: Marina tinha R$ 155,00. Seu irmão pediu emprestado R$50,00. Mais tarde, Marina foi à banca e comprou 10 figurinhas, cada uma custando R$ 2,00. Com o que sobrou do dinheiro, Marina foi ao Shopping e comprou um livro, pagando em 5 parcelas iguais, não sobrando nenhum dinheiro depois disso. Quanto custou cada prestação do livro?

Dados:
Valor inicial: R$ 155,00.
Valor emprestado: R$ 50,00.
Compra na banca: 10 figurinhas a R$ 2,00 cada.
Compra do livro: 5 parcelas iguais do que sobrou.
Valor final: R$ 0,00 (não sobrou nada).

Pedido:
Quanto custou cada prestação do livro?

1- Empréstimo:
R$ 155,00
- R$ 50,00
---------------
R$ 105,00

2- Figurinhas:
R$ 2,00
x 10
---------------
R$ 20,00

3- Sobrou:
R$ 105,00
- R$ 20,00
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R$ 85,00

4- Livro:
R$ 85,00 ÷ 5
= R$ 17,00

Resposta: Cada prestação do livro custou R$ 17,00

Resumo das nossas 5 regras de ouro:
1)       Leia com muita atenção o enunciado para entender o que se pede.
2)        Separe o enunciado em partes
3)         Identifique o que é dado e o que é pedido
4)         Organize-se antes de começar a resolver o problema
5)         Resolva o problema por etapas


Mas, espere um pouco! (Você deve estar pensando...) Não demos realmente as dicas de como resolver o problema em si! Ou seja, quando usar adição, multiplicação, divisão... Às vezes, não é tão simples descobrir estas coisas!

Calma! É isto que iremos explorar nos próximos posts. O que fizemos até agora, foi apenas lhe mostrar um método, uma maneira lógica de como proceder diante de um problema de matemática. 

Problemas com Divisão


Um problema envolve divisão ( ) quando você reparte ou distribui uma certa quantidade por um valor fixo (igualmente)

Exemplo:
[ Marina tinha seis quilos de ração. ] Quantidade a se repartir
[ Ela dividiu a mesma quantidade de ração entre os seus três porquinhos. ] Número de partes iguais
[ Quanto cada porquinho comeu? ]

Dados:
Quantidade de ração: 6 quilos.
Número de porcos: 3

Pedido:
Quanto cada porco comeu?
Solução:
6 3 = 2 quilos.

Atenção: Nem sempre fica tão óbvio que um problema envolve divisão, porque nem sempre está dito claramente que vai ser "repartido" alguma quantidade ou valor entre pessoas, animais, etc. Basta perceber que você precisa determinar como obter partes iguais de alguma coisa maior.

Exemplo:
[ No ano de 2008, Marina gastou R$ 6.000,00 de aluguel. ] Quantidade
a se repartir [ Quanto Marina paga mensalmente de aluguel? ] Número de partes??

Neste problema, você precisa identificar quais são as "partes iguais" de uma "coisa maior", e quantas são. Bom, a "coisa maior" é fácil: R$ 6.000,00. Ela gastou isso no total do aluguel num determinado ano. Também está dito no enunciado que o aluguel é mensal, e geralmente o aluguel tem um valor fixo. Ora, um ano contém 12 meses, logo, são 12 aluguéis ao longo do ano, e este é o número de "partes iguais" que estamos procurando! Assim:

Dados:
Valor total do aluguel em 2008 : R$ 6.000,00.
Número de aluguéis (mensais) em um ano : 12

Pedido:
Valor mensal do aluguel.
Solução:
6000 12 = 500.

Resposta:
Marina paga mensalmente R$ 500,00 de aluguel.

ESTREITANDO OS LAÇOS ENTRE ESCOLA E FAMÍLIA

    PROPOSTA DE INTERVENÇÃO Temática: Escola em Família      Introdução: A parceria entre escola e família sustenta um mei...