terça-feira, 19 de agosto de 2014

Projeto: Hora de comer!


Autora: Karla Wanessa Carvalho de Almeida


Apresentação: Baseada no princípio de uma alimentação saudável e balanceada, na preocupação da família e da escola este projeto visa uma reeducação alimentar das crianças da Educação Infantil do Conselho Escolar Creche Vivendo a Infância.

Problematização: Observações realizadas pelas professoras durante o momento do lanche deram conta que as crianças do Conselho Escolar Creche Vivendo a Infância compunham seus lanches basicamente de: salgadinho, refrigerante, pipoca, chocolate, e outros componentes da indústria alimentícia de guloseimas. Inquietas com este fato, a escola lançou-se na busca por proposições de mudanças. Assim, surgiu o projeto hora de comer! Que aborda a temática “alimentação saudável”, visando proporcionar a essas crianças uma alimentação adequada, visto ser fundamental para garantir um bom desenvolvimento físico e cognitivo. Pois, ensinar às crianças a importância de uma alimentação equilibrada é o caminho para que elas saibam fazer boas escolhas alimentares.

Justificativa:  Sistematicamente os lares são invadidos por guloseimas gerando hábitos inadequados de alimentação, são salgadinhos que tomam o lugar do arroz e feijão, o chiclete se impõe as frutas e assim sucessivamente. Essa ocorrência gera enorme preocupação com a alimentação, e é um dos problemas que mais instiga preocupação nos pais, educadores e no serviço de saúde. Estima-se que a obesidade infanto-juvenil tenha aumentado 240% nas últimas décadas (TALAMONI, 2005). Os gastos dos SUS com doenças provenientes de uma má alimentação aumentaram 70%  apresentando uma crescente estatística de crianças com osteoporose por causa do refrigerante.
   Neste contexto, a temática alimentação saudável é requerida desde a mais terna idade, por isso, a Educação Infantil, desempenha papel fundamental na formação de valores, hábitos e estilos de vida, entre eles o da alimentação. Assim, este projeto versa sobre uma reorganização alimentar na mesa dos pequenos munícipes jaquerenses. Portanto, para que a instituição escolar seja e promova estabelecimentos de promoção da alimentação saudável é necessária à criação de um elo com a família e o serviço de saúde, para juntos combaterem alimentos industrializados nocivos à saúde se consumidos continuamente.
   Por isso, o projeto baliza suas ações na tríade: ações de estímulo à adoção de hábitos alimentares saudáveis, ações de apoio à adoção de práticas saudáveis por meio da oferta de uma alimentação nutricionalmente equilibrada no ambiente escolar e ações de proteção à alimentação saudável, por meio de medidas conjuntas com pais e serviços de saúde.

Duração: 5 meses
 
Público-alvo: Crianças entre 1 a 4 anos

Objetivo Geral: Promover o consumo de alimentos saudáveis, principalmente legumes, frutas e verduras, imbuindo uma consciência de sua contribuição para a promoção da saúde.

Objetivos específicos:
  •      Promover o consumo de frutas, legumes e verduras;
  •      Reconhecer alimentos nutritivos e promissores de saúde;
  •     Identificar cores, textura e sabores dos diferentes alimentos; 
  •     Reconhecer e diferenciar frutas, legumes, raízes e sua importância para a saúde;
  •      Pesquisar e registrar sobre a alimentação da família;
  •     Valorizar o momento reservado à alimentação;
  •     Diferenciar quais as partes dos alimentos que ingerimos (raiz, folhas e frutos)

Fundamentação teórica: O mundo contemporâneo caracteriza-se por uma transição nutricional que multiplicou nos últimos anos doenças relacionada à desnutrição e a deficiências por micronutrientes. Esse cenário é resultado de mudanças econômicas, sociais e demográficas ocorridas decorrentes a modernização e urbanização que modificou o estilo de vida das populações. Neste interím, o conceito de saúde ampliou-se nos últimos anos e a temática Alimentação Saudável tem se tornado uma preocupação mundial, o que tem perpetrado inúmeros debates no âmbito da saúde e educação, gerando politicas públicas, pautados no princípio da participação social. Têm-se como exemplo, a aprovação de um projeto- lei da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados, onde obriga creches, pré-escolas e instituições de Ensino Fundamental, a comercializar apenas alimentos saudáveis.
   Esses postulados originaram uma gama de discussões, tendo como pano de fundo a escola como espaço dinâmico de múltiplas aprendizagens, balizados neste preceito os Ministérios da Saúde e Educação instituíram a portaria interministerial nº 1.010 com Diretrizes para Promoção da Alimentação Saudável nas Redes Públicas e Privadas, bem como, o Programa de Saúde na Escola instituído pelo decreto Presidencial nº 6.286/2007. Ambos vislumbrando a promoção de uma educação alimentar saudável e nutricional, com bases comportamentais desenvolvidas no seio familiar e escolar.
   Assim, consciente sobre a relevância do mesmo, o campo de ação da prática pedagógica escolar permitirá o reconhecimento que a alimentação é uma parte vital da cultura do indivíduo e leva em conta as práticas, costumes, tradições e exigem medidas na disponibilidade de acesso físico e financeiro aos alimentos, bem como o resgate de hábitos alimentares regionais salubres as crianças:
 “A alimentação saudável precisa ter como enfoque principal o resgate de hábitos alimentares regionais, estimulando o consumo de alimentos in natura, produzidos em nível local, integrados à cultura da região e de alto valor nutritivo, como frutas, legumes e verduras, grãos integrais, leguminosas, sementes e castanhas, além de ser fundamental a higiene na sua produção, da produção ao consumo”. (Manual das cantinas escolares saudáveis: promovendo a alimentação saudável, pag. 19.)
  Promover a alimentação saudável na escola, na perspectiva do direito humano, é melhorar os padrões de saúde e cidadania. Por isso, a intersetoridade visa o fortalecimento de um novo modelo de atenção de práticas de saúde, estabelecendo a sala de aula como espaço dialógico, mobilizante e fortalecedor da comunidade. Deste modo, o currículo deve ser compreendido como mecanismo pelo qual o conhecimento é distribuído socialmente, ou seja, expressa a função socializadora da escola, sendo elemento orientador da prática pedagógica (MOTA: AGUIR, 2007). Esse pressuposto de currículo espiral, onde as temáticas são abordadas com aprofundamento garantem a concretude dos objetivos de aprendizagens estabelecidas na reeducação alimentar.
   Por conseguinte, a Secretaria Distrital da Saúde de Santa Fé de Bogotá, 1997 apud Pelicioni: Torres, 1999 coloca que a escola saudável precisa, ser entendida como um espaço vital gerador de autonomia, participação crítica e criatividade, dado a possibilidades de desenvolver suas potencialidades físicas e intelectuais. E para isso se faz necessário uniformidade na instrução e no manuseio de recursos e estratégias da realidade cultural, com vista a desencadear relações mútuas entre instituição, unidade de saúde e família na busca de qualidade de vida.

Atividades Interdisciplinares realizadas com os pai
    Levantamento de conhecimentos prévios em roda de conversa
    Montagem de um prato que represente uma alimentação saudável através de recorte e colagem
ü   Identificação dos alimentos mais consumidos na família: questionário com múltiplas escolhas em marcação de X
ü  Palestra com nutricionista:
ü  Organização de um mural na creche com dicas de saúde mandadas pelos pais;
ü  Promoção de concursos de lanches saudáveis para oferecimento aos filhos;
ü  Dia da Saúde da Família- Ação conjunta do PSF do bairro (dia com atividades educativas e recreativas sobre saúde e diagnóstico clínico e nutricional)

Atividades Interdisciplinares realizadas com as crianças (procedimentos/ações metodológicas)
§  Levantamento do conhecimento prévio das crianças por meio de uma roda de conversa e leitura de imagens de alimentos;
§   
     Visitar uma feira;       
§   
    Pesquisa sobre os lanches que os alunos trouxeram em cartaz:
Ex.:
LANCHE
QUANTIDADE






§   
    Trabalho com a música: “eu sou forte”
EU SOU FORTE, FORTE, FORTE,
DE MARRE, MARRE, MARRE,
COMO FRUTAS E VERDURAS,
TOMO LEITE COM CAFÉ.
§   
     Experimentos: observação da transformação dos alimentos em outros- frutas/sucos, frutas/vitaminas, etc.,
§  
        Confecção de listas tendo a professora como escriba: alimentos ingeridos no café da manhã/ lanche/almoço/ janta.
Ex.: O QUE COMEMOS NO:
CAFÉ DA MANHÃ
ALMOÇO
JANTAR



§   
    Construção de uma pirâmide alimentar
§   
    Produção de salada de fruta e sala de folhas;
§   
    Preparo de sopa utilizando os alimentos estudados;
§   
    Seleção de alimentos conforme a categoria: frutas, legumes, verduras, grãos, etc.
§   
    Contagem e formação de grupos  frutos de alimentos por cores, tamanho, etc.;
Ex.:VERDE
Alface                                                   colar desenho
Pera
Maçã
Uva
§ 
         Confecção de carimbos com batata, chuchu, cenoura, etc.;
§   
     Confecção de mural com rótulos de alimentos industrializados por segmento: limpeza, comida, frutas e verduras, guloseimas, etc.;
§   
     Confecção de um alfabeto com rótulos;
§   
     Construção de jogo da memória a partir de imagens de frutas, verduras e legumes recortadas pelos alunos;
§   
      Identificação de frutas, verduras e legumes através do olfato e tato, utilizando a caixa surpresa;
§   
      Montagem de horta com garrafas ( com terra/ e com água) peti e sementes de hortaliças;
§   
      Degustação de alimentos frutas, verduras e legumes;
§    
      Montagem de gráficos alimentos da degustação que a sala mais gostou/ pode ser também por menina e menino;
§   
      Montagem de cartazes com alimentos saudáveis e não saudáveis;
§   
      Apresentação em teatro de fantoche da história:
§   
     Piquenique coletivo;
§   
     Confecção de artes com material recicláveis;
§   
     Confecção de álbum de frutas, verduras e legumes;

Produto Final: Confecção de livro de registro com fotos, ilustrações, depoimentos realizados em cada atividade realizada com os pais e as crianças para exposição à comunidade.

Avaliação: A avaliação ocorrerá em todos os momentos vivenciados ao longo do projeto, tanto individuais, quanto coletivos. Realizando-se através da observação, participação, interesse, motivação e entusiasmo das crianças em relação às atividades propostas, e principalmente na demonstração de mudança de hábitos alimentares por meio da ingestão de frutas, legumes e verduras, dentro e fora da instituição educativa.

Cronograma:
Atividades Realizadas
Jul.
Ago.
Set.
Out.
Nov.
Dez.
·         Conversas sobre o tema e Construção do Projeto

X





·         Lançamento do Projeto: evento com Pais e alunos.


X




·         Estabelecimento de nova categoria de lanche: frutas.


X




·         Roda de conversa e leitura de imagens
·         Pesquisa sobre os lanches trazidos;
·         Visita a uma feira livre;
·         Seleção de alimentos por categoria: fruta/legumes/verduras;
·         Contagem e formação de grupos de alimentos por: cor e tamanho;




X




·         Construção de jogo da memória a partir de imagens de frutas, verduras e legumes;
·         Produção de lista com alimentos ingeridos: café da manhã, almoço e janta;
·         Trabalho com parodia da música Eu sou forte;
·         Experimentos: transformações de alimentos em outros: suco e vitaminas;








X



·         Produção de salada de fruta e de folhas, bem como sopa;
·         Confecção de um alfabeto com rótulos;
·         Piquinique coletivo;
·         Montagem de cartazes com alimentos saudáveis e não saudáveis;
·         Confecção de álbum de figurinhas de frutas/legumes/verduras;
·         Construção de uma pirâmide Alimentar;








X


·         Identificação de frutas, legumes e verduras em caixa surpresa por meio do tato, olfato e paladar;
·         Apresentação de teatro de fantoche;
·         Confecção de carimbos com bata, chuchu, cenoura;
·         Degustação de Alimentos;
·         Montagem de gráfico alimento que mais gostou na degustação;
·         Confecção de mural com rótulos por segmento: limpeza, frutas, legume, etc.









X

·         Confecção de artes com recicláveis;
·         Montagem da horta em peti;
·         Mostra do Projeto







X

Referências:
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Manual das cantinas escolares saudáveis: promovendo a alimentação saudável / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2010. 56 p.: il. color. – (Série B. Textos Básicos de Saúde).
Brasil. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Ministério da Educação e Desporto. Brasília, 1998
Coleção Novos Caminhos: Formação Continuada na sala de aula. São Paulo: DCL 2006
HOFFMANN, Jussara. Avaliação na pré-escola: um olhar reflexivo sobre a criança. Cadernos Educação Infantil: Mediação, 2000.
MARTINS, Rosicler. Vida e Alimento. São Paulo: Moderna, 1993.
Projeto Alimentação Saudável. Disponível em: http://www.csajaboticabal.org.br/educacaoInfantil/23/Infantil-I-T1-e-T2-Alimento-Saudavel.html
Revista Cozinha Prática. Publicação editada pela parceria Instituto do Coração e Edições Cozinha Saudável


Anexos









































Um comentário:

ESTREITANDO OS LAÇOS ENTRE ESCOLA E FAMÍLIA

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