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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

CONTEXTUALIZANDO A DIDÁTICA NA ATUALIDADE


INTRODUÇÃO
   
                            O crescimento e a convergência do potencial tecnológico dos últimos anos e a atual conjuntura social desencadeia um processo de educação como espaço de desenvolvimento de múltiplas dimensões, valoriza os processos criativos nas relações pessoais, sociais e ambientais, Carlos Libâneo trata essa complexidade do ensino-aprendizegem em seu texto “ O essencial da didáica e o trabalho de professor-em busca de novos caminhos”.
                          E é trilhando esse trajeto que o professor liga meios pedagógicos-didáticos à objetivos sócio políticos em uma justaposição, cerne da didática, a fim de embasar melhor  as informações trazidas por Libaneo e a realidade da educação ministrada nos Anos Inicias do Ensino Fundamental realizou-se uma pesquisa com 20 professoras, as entrevistas procuraram traçar o perfil e as concepções que fudamentalizam as práticas pedagógicas realizadas por elas em sala.
                            Assim, o texto que se segue: Contextualizando a Didática na Atualidade é fruto da análise da pesquisa realizada nos Anos iniciais e dos estudos realizados por Libâneo, os resultados estão condensados e partem da premissa Didática, Ensino e Aprendizagem, Como Ensinar?

  
Contextualizando a Didática na Atualidade

                           
                           Ao tratar sobre ensino-aprendizagem, reporta-se ao modo de como se dá esse processo educativo, baseados em Libâneo que fudamenta a disciplina da Didática em conjunto de objetivos, conteúdos, métodos e formas, bem como, esse fatores se relacionam para garantir a aprendizagem significativa, tem-se uma visão das finalidades educativas. Nesse sentido, a aprendizagem será sempre o foco do professor e a melhor maneira como alcançar este alvo será uma insaciável busca, deste modo a pesquisa realizada sob forma de entrevista com professores dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental apontou evidenciais  aspectos que Libâneo destaca quanto a didática e o método de trabalho.
                            Em seu texto Libâneo caracteriza professores tradicionais, progressitas e socio-construtivistas respaldado em indicativos de cada concepção educativa, sendo que as duas primeiras indagações visavam traçar o perfil de cada profissional entrevistado buscando as caracteristicas citadas pelo autor, assim foram elaboradas as seguintes perguntas: 1. Como você realiza seu trabalho em sala de aula? 2. Seu método de trabalho se aproxima mais do tradicional ou historico-critico? Na análise desta duas questões percebe-se que mais de 50% das professoras seguem uma postura tradicionalista de trabalhar com livros, apostilas dentro de uma abordagem rígida, aulas sempre iguais, onde se passa o conteúdo e cobra-se nas provas, na famosa repetição mecânica de memorizar e decorar fórmulas e definições, cerca de 20% se contradizem em descrever sua prática em sala e denominar seu método de trabalho, este percentual mostra o quanto professores ainda não conseguem respaldar sua prática em teorias que norteiam a Educação, Aprendizagem e Ensino. As que indicaram uma postura progressista com materiais diversificados, experiências e diálogo levando em consideração as individualidades ficaram na casa de 28%  e apenas 2% apresentaram indicativos socio-construtivistas tanto ao descreverem sua prática quanto ao método, marcando sua fala nos moldes da dimensão sócio (da atividade conjunta) e construtivista (ensino da autonomia de tarefas e pensamento), agregando sentido real no ato de aprender e atuar em sociedade em um eixo norteador de autonomia e independência aos sujeitos.
                           As indagações seguintes buscavam determinar a função da escola tanto no passado quanto na atualidade diante de tantas mudanças na teia organizacional da sociedade, o que Libâneo considera como local de mediação cultural que internaliza nos sujeitos os meios cognitivos de comprender, portanto, a fim de esboçar este panorama as perguntas formuladas foram: 3. Em sua opinião qual é a função da escola? 4.Você acha que as mudanças econômicas e culturais existentes na sociedade, modificaram o papel da escola? A súmula das respostas delineou a seguinte constatação: a função da escola no decorer dos anos permanece com suas mesmas bases contudo com configurações distintas, ou seja, a escola ainda permanece com a função de formar cidadãos intelectualmente competentes e críticos, conscientes de seus direitos e deveres que saibam se posicionar  e atuar em todos os segmentos sociais. Todavia, todo esse foco central tem peculiaridades funcionais que substancia o alvo, ou seja, as mudanças sociais embutidas nos avanços da tecnologia, ampliaram as funções da escola a fatores antes considerados de ordem familiar e de qualificação profissional, cujo viés do mercado de trabalho é a competitividade,os domínios tecnológicos e uma linguagem no mínimo bilíngue. Em presença de tais fatos, têm-se na contemporaniedade a necessidade de adequar as formas de aprendizagem com estímulos de capacidades investigativas e habilidades mentais.
                           Toda essa cultura de interação ativa entre realidade e sujeito na construção de conhecimento comporta ações de aprendizagem satisfatórias legitimada em comunidade, pois ao mesmo tempo que contém elementos subjetivo, apresentam subsídios comuns e compartilhados. A fim de pautar tais conceitos a quarta indagação buscou coletar informações dos impactos positivos e negativos estas mudanças na sala de aula e na aprendizagem dos alunos: 4. Essas mudanças trouxeram impactos positivos ou negativos na forma de realização do seu trabalho? A essa pergunta todas foram unanimes em concordar que impactos positivos e negativos ocorreram no percurso de modificação, os bons frutos foram as pesquisas voltada para a área educacional que possibilitou uma melhor compreensão de como de processa a aprendizagem e permitiu compartilhar e testar teorias que ajudam a ensinar, são exemplos os estudos indicados por Libâneo nas posições inatistas, mecanicistas e construtivistas com bases piagetiana, ciência cognitiva, a sócio-construtivista e a historico-cultural, esta última prioriza o polo social e cultural no desenvolvimento do psiquismo. Desta modo, a revolução tecnologica adentrou nas escolas como veículo didático, com acesso rápido, fácil e prático a informações em recursos audio-visuais, redes sociais, etc.  Apesar disso o aspecto negativo recai no preparo aos profissionais da educação na utilização de tais recursos em sala como aporte didático da aprendizagem, falta formação continuada aplicadas as lacunas especificas: esfera digital aplicada a aprendizagem, pois o uso inadequado de tais ferramentas tem criado a famosa geração do copia e cola, visto isso afrontar o objetivo fundamental do ato de ensinar.
                            Ao citar Castells, Libâneo exprime o volume crescente de dados acessiveis na sociedade e nas redes informacionais e da necessidade de educar a juventude em valores para a construção de personalidades flexíveis e éticas, já Morin ressalta a inteligencia global que discerne o contexto vivencial. Destarte, o pensamento didático hoje aliado as tendências epistemologicas, psicocognitivas e pedagógicas apoia a formação do indivíduo dentro de uma perspectiva de aprendizagem ativa, critica, autonoma, criativa de modo interdisciplinar de conceitos articulados com representações do real  na ativação de processos complexos de pensamento e metacognição.

      CONCLUSÃO

                            A realidade educacional brasileira, numa perspectiva de organicidade, se fundamenta em conteúdos formais, estagnados em grades curriculares, que buscam justificar-se pelas implicações das práticas intervencionais, percebe-se com este quadro que a rigidez presente nas práticas cotidianas de inumeros professores dos Anos Iniciais tem sua gênese em uma organização maior, herança de séculos de uma educação burocrática.  
                           Hoje no processo educacional, o professor não é mais o eixo da ação educativa como pensava-se a anos atrás, concebe-se na contemporaneidade o educando como ser ativo procedente das experiências vivenciadas em seus múltiplos aspectos de conhecimento, tornando-se assim o centro da prática pedagógica, ao professor  cabe o papel de mediar a cultura elaborada. Em suma a aprendizagem é uma atividade dinamica e criativa, um acontecimento eminente, interpessoal e social que ocorre na mobilização mental da subjetividade e da experiência sociocultural concreta como sugere Libâneo.


REFERÊNCIAS


Libâneo, José Carlos. O essencial da didáica e o trabalho de professor-em busca de novos caminhos. Goiania. Nov. 2001.


Silva, Karla Wanessa Henrique. Teoria Geral do conhecimento. Disponivel em: http://karlawanessa.blogspot.com.br/2009/05/teoria-geral-do-conhecimento.html
 Acesso em 14. Jun. de 2012. 

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Exemplo de Relatório de Atividades Pedagógicas


Creche Municipal Vivendo a Infância
Jaqueira-PE
Relatório de Atividades Pedagógicas do ano de 2011.

                                Em 2011 a Creche Municipal Vivendo a Infância foi marcada pela redefinição de ações em torno de Projetos didático-pedagógicos, passeios pedagógicos, rearticulação de festas e eventos recreativos focalizados no desenvolvimento da criança e pautados na interdisciplinaridade dos eixos norteadores do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Assim, concentraram-se esforços na realização de projetos ressaltando as datas comemorativas. O sentido maior de cada iniciativa foi possibilitar uma prática pedagógica criativa e motriz, impactando positivamente a comunidade que atendemos. Nosso objetivo maior concentra-se em contribuir para a redução da desigualdade social e propagar um ensino de qualidade em abordagem interdisciplinar e lúdica que oferte às crianças a oportunidade de construírem seu conhecimento por meio do concreto, da brincadeira, de resolução de situação problema, pautada no diálogo aberto. Atividades integradas à concepção de aprender fazendo foram adotadas durante todo o percurso letivo, pois a compreensão do contato direto reporta a uma significação maior na aprendizagem. A seguir apresentamos os projetos vivenciados no intuito de dividir com todos as nossas conquistas:

Carnaval
Teve início logo após o período de adaptação. Uma festa considerada fenômeno contribuinte para a formação da cultura brasileira, onde se tem boa música, bandas rítmicas, instrumentos de percussão e fantasias, que ofertam uma ampla área de atuação de trabalho com as crianças da Educação Infantil. Dentre as atividades vivenciadas estão:
·         Confecção de máscaras e colares;
·         Instrumentos de percussão,
·         Festa carnavalesca.


Páscoa
Sendo, uma festa cristã a páscoa tem perdido nos últimos anos a sua real significação, por isso, o projeto realça o sentido espiritual desta festa. Propiciando que as crianças vivenciasse em suas atividades diárias o verdadeiro significado desta data como elemento das tradições religiosas da humanidade. Deste modo as atividades vivenciadas em torno desta temática foram:
·         Confecções de máscaras, móbiles e dedoches;
·         Grafismo – levando o coelho a sua toca e a sua cenoura;
·         Quebra cabeça do coelho;
·         Pintura facial;
·         Confecção de painéis com os símbolos pascais
   
Dia do Índio
Permitir as crianças o contato maior com a cultura indígena e aprender a valorizá-la foram o objetivo do projeto, Dia do Índio. Que contou com atividades como:
·         Conversação sobre os índios e seu modo de viver (trajes, alimentação, danças, etc.)
·         Montagem de cartazes com índios confeccionados com papeis de carimbagem de mão,
·         Colagens de palhas, farinha de mandioca, etc. em construção de ocas;
·         Confecção de cocares
·         Entoação de cantigas envolvendo a cultura indígena;
·         Criação alguns objetos e instrumentos indígenas de artesanato com palha.
  

Dia das Mães
Hoje na composição familiar existe uma sequência de diversificações da figura da mãe, que a escola tem que abordar de forma peculiar para ofertar as crianças um projeto sobre MAE que releve a importância desta figura na formação do seu humano. Sua execução foi iniciada em maio sendo concebida com um conjunto de atividades articuladas entre a escola e a família, mas precisamente com as mães.  Foram desenvolvidas ações como:
·     Pesquisa com a mamãe sobre o que gostam, trabalham etc. Realizadas através de imagens e pinturas de objetos e situações que reportassem sua própria mãe;
·         Confecção de cartões com mensagens para a mamãe;
·         Montagem de uma boneca representativa da mãe;
·         Colagem (recortes e colagem de figuras de revistas);
·         Festa comemorativa oferecida às mães com dinâmicas variadas;
   

Festas Juninas
As comemorações Juninas são uma excelente oportunidade de engajar diversas atividades interdisciplinares e ampliar o universo linguístico, o papel da instituição educativa consiste na valorização das tradições, marcado pelas fogueiras, dança de quadrilhas, colheita do milho. Deste modo foram realizadas atividades voltadas para essa compreensão, tais como:
·         Trabalho de leitura e memorização da quadrinha "Cai, cai balão”;
·         A pescaria,
·         Entoação de músicas com caracterização dos personagens;
·         Brincadeira do passa chapéu;
·         Brincadeira cadê meu par- as crianças procuram seus sapatos em uma pilha;
·         Dança dos pezinhos
·         Festa comemorativa com sorteio de balaio junino.
     

Dia dos Pais
A atual dinâmica social da figura paterna sofreu alterações significativas, por vista disso, o projeto Pais objetivou resgatar a valorização desta figura tão importante. Então foram organizadas atividades como:
·         Construção um grande coração com a palavra pai no centro, onde as crianças ditam uma qualidade do papai;
·         Confecção de lembrancinhas para o papai;
·         Festival da canção em Cd com fotos do filho e música.

Folclore
O folclore permeia a vivência cultural das crianças e cria uma abertura para a experiência de modo ativo e solidificado dentro dos eixos de aprendizagem, harmonizando atividades concretas e experimentais, a fim de sistematizar conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais, e estes foram utilizados como ponto de partida para a organização de atividades interdisciplinares para o desenvolvimento cognitivo, afetivo e cultural das crianças. O projeto FOLCLORE compreende o valor sócio- cultural nas diversas representações do real, objetivando liberdade para assegurar a apropriação e a construção do conhecimento por todos, oferecendo um ambiente que estimule à comunicação verbal que leva em consideração a singularidade das ações infantis e o direito a brincadeira. Por isso, foram oferecidas atividades como:
·         Leituras e recontagem de Lendas folclóricas;
·         Leitura e recitação de Parlendas; Trava-língua e Adivinhações;
·         Realização de brincadeiras folclóricas;
·         Confecção de fantoches e máscaras.

Dia da Árvore
Outra sequencia didática de real significação deu-se na temática: Dia da Árvore, durante a semana foram vivenciadas as atividades como:
·         Plantação de grãos de feijão para observação do processo de germinação,
·         Confecção de painéis com árvores construídas a partir da pintura e colagem de decalques de mãos;
·         Visita a maiores árvores da cidade do centro do município, ressaltando sempre a preservação ambiental como aporte a sobrevivência humana sobre a terra.
    
Dia das Crianças
A Semana da Criança foi elaborada com muitas brincadeiras, pipoca, etc. A proposta de trabalho ateve-se em estabelecer uma ligação direta entre ensino-aprendizagem lúdica, valorizando as crianças como produtoras de seus conhecimentos.  Diante deste fator, as atividades realizadas culminaram em ressaltar a peculiaridades desta fase da vida.
·         Trabalho do gênero receita e preparo de mini- pizzas;
·         Realização de piquenique;
·         Construções diversas em artes;
·         Banho de piscina
·         Mini- gincana
    
Independência do Brasil- 7 de Setembro
Na maioria das cidades acontece o desfile no dia 7 de setembro pelas ruas, ao som de músicas chamadas marchas e dobrados, e a Creche participou deste evento em Jaqueira sob o tema: O mundo encantado da criança! As atividades desenvolvidas em sala constituíram-se de:
·         Entoação da à marchinha do Soldado com os alunos,
·          Confecção de chapéus e espadas feitas de jornais.
·         Pinturas temáticas;
·         Confecção de quebra-cabeça.

Consciência Negra
O projeto foi elaborado no sentido de promover um conhecimento mais aprofundado sobre a importância da contribuição dos africanos na cultura brasileira, principalmente no mundo infantil. O foco principal do projeto esteve em:
·         Contagem de contos africanos;
·      Danças, músicas e adereços africanos, onde os alunos participaram de audição de músicas e produziram desenhos.
·         Brinquedos e brincadeiras de origem africana, exatamente com confecção de chocalhos,
·         Confecção cartazes com fotos/imagens retratando da diversidade a cultura negra.

Natal
Realizada no âmbito da Creche, essa ação constou de oficinas de arte cujo produto foi utilizado para confecção de uma coleção de cartões de natal, lembrancinhas e festa com entrega de presentes as crianças.

                              
        Partindo desta perspectiva, a rotina da Creche articula-se também com sequencias didáticas realizadas dentro de temas relativos ao mundo infantil, bem como, perpassa ao social e emocional. Dentro das temáticas: Higiene, Saúde e Alimentação Saudável foram desenvolvidas atividades de conversação e exploração de situações diárias vivenciadas pelas crianças.
·         Degustação de alimentos de origem vegetal-frutas, bem como a mobilização de tais gêneros nos lanches trazidos de casa pelas crianças;
·         Confecção de quadro de guloseimas mais presentes no lanche das crianças, etc.
Abordou-se também no mesmo eixo a realização de visitas periódicas de dentista comunitário na creche onde se realizou:
·         Aplicação de flúor na arcaria dentaria das crianças;
·         Recebimento de kit dental com pasta de escova para o uso na instituição educativa.
·         Participação na feira de orientação e exposição de temas relacionados à saúde realizada pela Secretária de Saúde do município. 
       A ideia fundamental da recreação dirigida é garantir as crianças acesso a um direito fundamental: o direito de brincar, de movimentar-se livremente para a sua construção de conceitos relacionados a si e ao mundo físico e social. Por isso  brincadeiras de todas as origens são destacadas nas vivencias na Creche: Percursos e trajetos, Confecção de massinha de modelar, Amarelinha, Toca do coelho,  Cirandas, Passa anel,  Boca de forno,  Estátua,  Passarai,  Atividades com bolas,  Imitação,  Bolinhas de sabão, Corridas, Cordas, etc.
      
        Os resultados obtidos pelas atividades vivenciadas no ano letivo de 2011 foram alcançados através de uma postura didática voltada ao compartilhamento de ideias entre o corpo docente, os indicadores de desempenho do sucesso alcançado pela Creche Municipal Vivendo a Infância foram visíveis o tempo todo, o que permitiu uma avaliação contínua durante todo o período letivo, de forma coletiva. Concebe-se, portanto, que não foi à teoria que fez a prática, mas, esta se incumbiu de fornecer instrumentos para uma ação pedagógica eficaz disseminadas em práticas de trabalho participativos da gestão. 

domingo, 12 de agosto de 2012

Um gestor embasado nos princípios da Psicologia


                       A Psicologia como ciência que tenta delinear os mecanismos mentais humanos, tem nos últimos anos incorporado valores na concepção do “sujeito” perceptíveis nas tendências psicológicas e mentais decorrentes da psicogênese, ou seja, das diversas dimensões sobre o que é o ser humano. Diante das informações recolhidas durante décadas de estudos e dos processos e funções psíquicas que podem causar alterações no comportamento, o gestor- líder torna-se um portador de ideologias para a instituição administra.
                        Assim, liderar que por si só, já se constitui em uma atividade árdua, ao depara-se com atualizações das ferramentas e estratégias utilizadas na gestão de pessoas para atender a demanda de produtividade e qualidade desencadeada pelos avanços tecnológicos requer maior atenção visto tratar diretamente com a complexidade humana em seus mais diversos níveis. Na presença desta visão, o gestor escolar na atualidade tem na análise das relações ligadas aos aspectos morais e psicológicos em administração o que lhe concede uma interpretação ampla de como liderar pessoas dentro de uma perspectiva que deslumbra um novo modelo representacional e substantivo do líder. Neste sentido, não existe mapa que oriente o trajeto do líder, contudo, indicativos são ofertados pela Psicologia da Educação e Aprendizagem, dentre os quais o gestor pautará suas tomadas de decisões, ou seja, as ações aplicadas pelo gestor serão mais postura e coordenação do pensamento diante das peculiaridades do público. Deste modo, o gestor que imbui sua liderança na tríade: sentir, pensar e agir agregará maior grau de significância na formação de pessoas-cidadão dentro de um posicionamento critico.
                         Nesta perspectiva, o trabalho do gestor pressupõe um direcionamento de prática administrativa regulada na humanização provenientes da análise, observação e experimentação da Psicologia, em prol de uma administração dirigida a uma sociedade autônoma. Onde a motivação, o potencial de desenvolvimento e a capacidade de assumir responsabilidades concretizarão o objetivo do gestor, facilitar e criar condições adequadas para que pessoas possam comportar-se em equilíbrio aos interesses organizacionais, destarte as condições devem ser adequadamente planejadas para que os meios de ensino propiciem real contextualização do saber epistemológico com transposição direcionada a evolução do outro. Este perpassar dos ideais puramente administrativos de esfera burocráticos contribui para a formação de um ambiente de valorização da diversidade cultural no espaço de convivência denominado escola. Os fatores sociais e culturais desta entidade abrangem a compreensão de tempos e realidades distintas em uma intervenção na sociedade vigente. Portanto, o principio básico do conhecimento administrativo e de recursos humano é ter estabelecido a condição humana de identidade terrena e falha dos seres que integram o seu dia-a-dia.


                                                            Karla Wanessa Carvalho de Almeida

domingo, 22 de julho de 2012

AS PRINCIPAIS TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS NA PRÁTICA ESCOLAR BRASILEIRA E SEUS PRESSUPOSTOS DE APRENDIZAGEM


TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS LIBERAIS

Segundo LIBÂNEO (1990), a pedagogia liberal sustenta a idéia de que a escola tem por função preparar os indivíduos para o desempenho de papéis sociais, de acordo com as aptidões individuais. Isso pressupõe que o indivíduo precisa adaptar-se aos valores e normas vigentes na sociedade de classe, através do desenvolvimento da cultura individual. Devido a essa ênfase no aspecto cultural, as diferenças entre as classes sociais não são consideradas, pois, embora a escola passe a difundir a idéia de igualdade de   oportunidades, não leva em conta a desigualdade de condições.

TENDÊNCIA LIBERAL TRADICIONAL

Segundo esse quadro teórico, a tendência liberal tradicional se caracteriza por acentuar o ensino humanístico, de cultura geral. De acordo com essa escola tradicional, o aluno é educado para atingir sua plena realização através de seu próprio esforço. Sendo assim, as diferenças de classe social não são consideradas e toda a prática escolar não tem nenhuma relação com o cotidiano do aluno.

Quanto aos pressupostos de aprendizagem, a idéia de que o ensino consiste em repassar os conhecimentos para o espírito da criança é acompanhada de outra: a de que a capacidade de assimilação  da criança é idêntica à do adulto, sem levar em conta as características próprias de cada idade. A criança é vista, assim, como um adulto em miniatura, apenas menos desenvolvida.

No ensino da língua portuguesa, parte-se da concepção que considera a linguagem como expressão do pensamento. Os seguidores dessa corrente lingüística, em razão disso, preocupam-se com a organização lógica do pensamento, o que presume a necessidade de regras do bem falar e do bem escrever. Segundo essa concepção de linguagem, a Gramática Tradicional ou Normativa se constitui no núcleo dessa visão do ensino da língua, pois vê nessa gramática uma perspectiva de normatização lingüística, tomando como modelo de norma culta as obras dos nossos grandes escritores clássicos. Portanto, saber gramática, teoria gramatical, é a garantia de se chegar ao domínio da língua oral ou escrita.

Assim, predomina, nessa tendência tradicional, o ensino da gramática pela gramática, com ênfase nos exercícios repetitivos e de recapitulação da matéria, exigindo uma atitude receptiva e mecânica do aluno. Os conteúdos são organizados pelo professor, numa seqüência lógica, e a avaliação é realizada através de provas escritas e exercícios de casa.

 TENDÊNCIA LIBERAL RENOVADA PROGRESSIVISTA

Segundo essa perspectiva teórica de Libâneo, a tendência liberal renovada (ou pragmatista) acentua o sentido da cultura como desenvolvimento das aptidões individuais.

A escola continua, dessa forma, a preparar o aluno para assumir seu papel na sociedade, adaptando as necessidades do educando ao meio social, por isso ela deve imitar a vida. Se, na tendência liberal tradicional, a atividade pedagógica estava centrada no professor, na escola renovada progressivista, defende-se a idéia de “aprender fazendo”, portanto centrada no aluno, valorizando as tentativas experimentais, a pesquisa, a descoberta, o estudo do meio natural e social, etc, levando em conta os interesses do aluno.

Como pressupostos de aprendizagem, aprender se torna uma atividade de descoberta, é uma auto-aprendizagem, sendo o ambiente apenas um meio estimulador. Só é retido aquilo que se incorpora à atividade do aluno, através da descoberta pessoal; o que é incorporado passa a compor a estrutura cognitiva para ser empregado em novas situações. É a tomada de consciência, segundo Piaget.

No ensino da língua, essas idéias escolanovistas não trouxeram maiores conseqüências, pois esbarraram na prática da tendência liberal tradicional.

TENDÊNCIA LIBERAL RENOVADA NÃO-DIRETIVA

Acentua-se, nessa tendência, o papel da escola na formação de atitudes, razão pela qual deve estar mais preocupada com os problemas psicológicos do que com os pedagógicos ou sociais. Todo o esforço deve visar a uma mudança dentro do indivíduo, ou seja, a uma adequação pessoal às solicitações do ambiente.

Aprender é modificar suas próprias percepções. Apenas se aprende o que estiver significativamente relacionado com essas percepções. A retenção se dá pela relevância do aprendido em relação ao “eu”, o que torna a avaliação escolar sem sentido, privilegiando-se a auto-avaliação. Trata-se de um ensino centrado no aluno, sendo o professor apenas um facilitador. No ensino da língua, tal como ocorreu com a corrente pragmatista, as idéias da escola renovada não-diretiva, embora muito difundidas, encontraram, também, uma barreira na prática da tendência liberal tradicional.

TENDÊNCIA LIBERAL TECNICISTA

A escola liberal tecnicista atua no aperfeiçoamento da ordem social vigente (o sistema capitalista), articulando-se diretamente com o sistema produtivo; para tanto, emprega a ciência da mudança de comportamento, ou seja, a tecnologia comportamental. Seu interesse principal é, portanto, produzir indivíduos “competentes” para o mercado de trabalho, não se preocupando com as mudanças sociais.

Conforme MATUI (1988), a escola tecnicista, baseada na teoria de aprendizagem S-R, vê o aluno como depositário passivo dos conhecimentos, que devem ser acumulados na mente através de associações. Skinner foi o expoente principal dessa corrente psicológica, também conhecida como behaviorista. Segundo RICHTER (2000), a visão behaviorista acredita que adquirimos uma língua por meio de imitação e formação de hábitos, por isso a ênfase na repetição, nos drills, na instrução programada, para que o aluno for me “hábitos” do uso correto da linguagem.

A partir da Reforma do Ensino, com a Lei 5.692/71, que implantou a escola tecnicista no Brasil, preponderaram as influências do estruturalismo lingüístico e a concepção de linguagem como instrumento de comunicação. A língua – como diz  TRAVAGLIA (1998) – é vista como um código, ou seja, um conjunto de signos que se combinam segundo regras e que é capaz de transmitir uma mensagem, informações de um emissor a um receptor. Portanto, para os estruturalistas, saber a língua é, sobretudo, dominar o código.

No ensino da Língua Portuguesa, segundo essa concepção de linguagem,  o trabalho com as estruturas lingüísticas, separadas do homem no seu contexto social,  é visto como possibilidade de desenvolver a expressão oral e escrita. A tendência tecnicista é, de certa forma, uma modernização da escola tradicional e, apesar das contribuições teóricas do estruturalismo, não conseguiu superar os equívocos apresentados pelo ensino da língua centrado na gramática normativa. Em parte, esses problemas ocorreram devido  às dificuldades de o professor assimilar as novas teorias sobre o ensino da língua materna.


TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS PROGRESSISTAS

Segundo Libâneo, a pedagogia progressista designa as tendências que, partindo de uma análise crítica das realidades sociais, sustentam implicitamente as finalidades sociopolíticas da educação.

TENDÊNCIA PROGRESSISTA LIBERTADORA

As tendências progressistas libertadora e libertária têm, em comum, a defesa da autogestão pedagógica e o antiautoritarismo. A escola libertadora, também conhecida como a pedagogia de Paulo Freire, vincula a educação à luta e organização de classe do oprimido. Segundo GADOTTI (1988), Paulo Freire não considera o papel informativo, o ato de conhecimento na relação educativa, mas insiste que o conhecimento não é suficiente se, ao lado e junto deste, não se elabora uma nova teoria do conhecimento e se os oprimidos não podem adquirir uma nova estrutura do conhecimento que lhes permita reelaborar e reordenar seus próprios conhecimentos e apropriar-se de outros.

Assim, para Paulo Freire, no contexto da luta de classes, o saber mais importante para o oprimido é a descoberta da sua situação de oprimido, a condição para se libertar da exploração política e econômica, através da elaboração da consciência crítica passo a passo com sua organização de classe. Por isso, a pedagogia libertadora ultrapassa os limites da pedagogia, situando-se também no campo da economia, da política e das ciências sociais, conforme Gadotti.

Como pressuposto de aprendizagem, a força motivadora deve decorrer da codificação de uma situação-problema que será analisada criticamente, envolvendo o exercício da abstração, pelo qual se procura alcançar, por meio de representações da realidade concreta,  a razão de ser dos fatos. Assim, como afirma Libâneo, aprender é um ato de conhecimento da realidade concreta, isto é, da situação real vivida pelo educando, e só tem sentido se resulta de uma aproximação crítica dessa realidade. Portanto o conhecimento que o educando transfere representa uma resposta à situação de opressão a que se chega pelo processo de compreensão, reflexão e crítica.

No ensino da Leitura, Paulo Freire, numa entrevista, sintetiza sua idéia de dialogismo: “Eu vou ao texto carinhosamente. De modo geral, simbolicamente, eu puxo uma cadeira e convido o autor, não importa qual, a travar um diálogo comigo”. 

TENDÊNCIA PROGRESSISTA LIBERTÁRIA

A escola progressista libertária parte do pressuposto de que somente o vivido pelo educando é incorporado e utilizado em situações novas, por isso o saber sistematizado só terá relevância se for possível seu uso prático. A ênfase na aprendizagem informal, via grupo,  e a negação de toda forma de repressão, visam a favorecer o desenvolvimento de pessoas mais livres.  No ensino da língua, procura valorizar o texto produzido pelo aluno, além da negociação de sentidos na leitura.

TENDÊNCIA PROGRESSISTA CRÍTICO-SOCIAL DOS CONTEÚDOS

Conforme Libâneo, a tendência progressista crítico-social dos conteúdos, diferentemente da libertadora e libertária, acentua a primazia dos conteúdos no seu confronto com as realidades sociais. A atuação da escola consiste na preparação do aluno para o mundo adulto e suas contradições, fornecendo-lhe um instrumental, por meio da aquisição de conteúdos e da socialização, para uma participação organizada e ativa na democratização da sociedade.

Na visão da pedagogia dos conteúdos, admite-se o princípio da aprendizagem significativa, partindo do que o aluno já sabe. A transferência da aprendizagem só se realiza no momento da síntese, isto é, quando o aluno supera sua visão parcial e confusa e adquire uma visão mais clara e unificadora.

TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS PÓS-LDB 9.394/96

Após a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de n.º 9.394/96,  revalorizam-se as idéias de Piaget, Vygotsky e Wallon. Um dos pontos em comum entre esses psicólogos é o fato de serem interacionistas, porque concebem o conhecimento como resultado da ação que se passa entre o sujeito e um objeto. De acordo com ARANHA (1998), o conhecimento não está, então, no sujeito, como queriam os inatistas, nem no objeto, como diziam os empiristas, mas resulta da interação entre ambos.

Para citar um exemplo no ensino da língua, segundo essa perspectiva interacionista, a leitura como processo permite a possibilidade de negociação de sentidos em sala de aula. O processo de leitura, portanto, não é centrado no texto, ascendente, bottom-up, como queriam os empiristas, nem no receptor, descendente, top-down, segundo os inatistas, mas ascendente/descendente, ou seja, a partir de uma negociação de sentido entre enunciador e receptor. Assim, nessa abordagem interacionista, o receptor é retirado da sua condição de mero objeto do sentido do texto, de alguém que estava ali para  decifrá-lo, decodificá-lo, como ocorria, tradicionalmente, no ensino da leitura.

As idéias desses psicólogos interacionistas vêm ao encontro da concepção que considera a linguagem como forma de atuação sobre o homem e o mundo e das modernas teorias sobre os estudos do texto, como a Lingüística Textual, a Análise do Discurso, a Semântica Argumentativa e a Pragmática, entre outros. 

Delcio Barros da Silva


ARANHA, Maria Lúcia de Arruda.  Filosofia da Educação.  São Paulo :  Editora Moderna, 1998.
COSTA, Marisa Vorraber et al.  O Currículo nos Limiares do  Contemporâneo. Rio de Janeiro : DP&A editora, 1999.
GADOTTI, Moacir.  Pensamento Pedagógico Brasileiro.  São Paulo : Ática, 1988.
LIBÂNEO, José Carlos.  Democratização da Escola Pública.  São Paulo : Loyola, 1990.
MATUI, Jiron.  Construtivismo.  São Paulo : Editora Moderna, 1998.
RICHTER, Marcos Gustavo.  Ensino do Português e Interatividade.  Santa Maria :    Editora da UFSM, 2000.
TRAVAGLIA, Luiz Carlos.  Gramática e Interação.  São Paulo : Cortez, 1998.


ESTREITANDO OS LAÇOS ENTRE ESCOLA E FAMÍLIA

    PROPOSTA DE INTERVENÇÃO Temática: Escola em Família      Introdução: A parceria entre escola e família sustenta um mei...