domingo, 9 de junho de 2013

EDUCAÇÃO

CONTEXTUALIZAÇÃO DE QUESTÕES EDUCACIONAIS

  •  Leia

Inclassificáveis
que preto, que branco, que índio o quê?
que branco, que índio, que preto o quê?
que índio, que preto, que branco o quê?

que preto branco índio o quê?
branco índio preto o quê?
índio preto branco o quê?

aqui somos mestiços mulatos
cafuzos pardos mamelucos sararás
crilouros guaranisseis e judárabes

orientupis orientupis
ameriquítalos luso nipo caboclos
orientupis orientupis
iberibárbaros indo ciganagôs

somos o que somos
inclassificáveis

não tem um, tem dois,
não tem dois, tem três,
não tem lei, tem leis,
não tem vez, tem vezes,
não tem deus, tem deuses,

não há sol a sós
aqui somos mestiços mulatos
cafuzos pardos tapuias tupinamboclos
americarataís yorubárbaros.

somos o que somos
inclassificáveis

que preto, que branco, que índio o quê?
que branco, que índio, que preto o quê?
que índio, que preto, que branco o quê?

não tem um, tem dois,
não tem dois, tem três,
não tem lei, tem leis,
não tem vez, tem vezes,
não tem deus, tem deuses,
não tem cor, tem cores,

não há sol a sós
egipciganos tupinamboclos
yorubárbaros carataís
caribocarijós orientapuias
mamemulatos tropicaburés
chibarrosados mesticigenados
oxigenados debaixo do sol
Agora responda:

  • De acordo com o que estudamos, por que podemos afirmar que a letra da música Inclassificáveis vai de encontro ao conceito de currículo tradicionalista ou currículo redentor?

R= A mensagem central da música em linhas gerais nos leva a reflexão de que a convergência natural do ser humano é rotular, seja em critérios coerentes ou não.  Em seus primeiros versos a música retrata questões étnico-culturais, sócio-demográficas e de raça, que formam a identidade pluralista da sociedade brasileira. Isto fica evidenciado quando ao autor questiona a classificação dada aos homens destacando os grupos étnicos oriundos da matriz base: branco, índio e negro. Nos versos seguintes o autor, abarca o ser humano em toda sua amplitude, pois embora tenha variações culturais, vive e sobrevive na diversidade, mostrando assim, que preconceitos direcionados a etnias não são justificados, pois somos “Inclassificáveis”, ou seja, fruto da miscigenação.

Desta forma esses preceitos expostos na música vão de encontro ao conceito de currículo tradicional que pauta-se em uma ideologia conservadora de perspectiva inatista, que concebe o homem como imutável, que baseia o ensino na transmissão dos conteúdos culturais pelo professor no método expositivo. Porquanto, as colocações de “opostos” étnicos criados pelo autor origina novos grupos étnicos mostrando que a diversidade e a pluralidade brasileira que favorece uma prática pedagógica abrangente e contextualizada, onde o trabalho pedagógico admite o conhecimento e os aspectos das culturas que permeiam a sociedade que estamos inseridos. Essa abordagem garante por esta via uma analise individual, bem como o intercâmbio na construção da identidade e da subjetividade humana, visto que “não há sol há sóis”.

  •      Qual trecho da música, de modo mais expressivo, traduz o conceito de currículo pós-crítico ou currículo transformador? Explique por que tal conceito expressa de modo mais explícito o conceito de currículo pós-crítico?


R= O trecho que mais expressa o conceito de currículo pós-critico é:
aqui somos mestiços mulatos
cafuzos pardos mamelucos sararás
crilouros guaranisseis e judárabes

[...]
não tem um, tem dois,
não tem dois, tem três,
não tem lei, tem leis,
não tem vez, tem vezes,
não tem deus, tem deuses...”

                           
Nele percebemos de modo enfático que a nossa sociedade contemporânea é heterogenia, constituída por diferentes etnias, interesses, e identidades culturais, que vivem em constante contato, ou seja, é obrigada a convivência e que por muitas vezes geram conflito. E é neste cenário que as novas perspectivas de abordagem que este currículo pós-critico delineia elementos fundamentais a serem trabalhados dentro da escola, tais como subjetividade, multiculturalismo, diversidade, identidade, gênero, etnia, etc.

Estas conexões educacionais abalizam disposições antropológicas, no contexto de múltiplas influências, nesta mesclagem o fator primordial é a valorização do diferente, do distinto, do diverso, nada mais que o respeito à diversidade. Assim, a escola como ambiente multicultural deve propõe uma prática pedagógica de ensino pautado nas modificações ético-sociais, concebendo os alunos como sujeitos socioculturais, portadores de subjetividades construídas no entrecruzamento de influências globais e particulares ocorridos dentro da escola e sendo reconhecidos como iguais em dignidade e em direito. 


  •       Identifique e analise as possíveis relações existentes entre os conceitos de políticos de Política e de Educação.


Compreender a relações existentes entre política, político e educação implica transcender suas esferas específicas, e projetar-se no significado maior do Estado no contexto histórico atual. Neste viés, o processo político é entendido como multifacetado e dialético, pois a Política se apresenta como ciência da governança que designa o que é público, por meio de determinações sociais e econômicas. Já, Político é o individual ativo nas questões sociais de seu grupo, sendo membro de governo, partidos políticos, ou formador de opinião pública de determinado grupo. E educação compreendida como meio transmissor de costumes e valores as gerações, que se desenvolve nas faculdades físicas, intelectuais e morais com objetivo de melhor integrar na sociedade.

Assim, esses elementos encontram-se intimamente interligados por sua constituição, porquanto um existe a partir do outro necessitando de analises não só com a natureza das atividades pedagógicas, mas também a sua contribuição para o crescimento econômico, a solidariedade social e a coesão cultural na reestruturação produtiva de uma sociedade permeada pelos códigos da modernidade. Sendo assim a educação é visto como direito subjetivo, que é prescrita pelo político e regulada pela política desenvolvida no Estado.

  • Defina os fenômenos da Globalização e do Neo-Liberalismo e suas implicações para a educação.



Vivemos o advento do fenômeno da Globalização, que nada mais é que o processo de integração econômica, cultural, social e política oriunda do neoliberalismo que proporciona o desenvolvimento tecnológico e gera uma sociedade onde a educação é vista como elemento estratégico para garantir de desenvolvimento do Estado. Assim sendo, esta proposta política introduz desafios educacionais em função das possibilidades de articulação que são oferecidas pelos meios tecnológicos de informação e comunicação.

As implicações desses fenômenos na Educação se estendem a uma educação-mercadoria influenciada por órgãos internacionais, percebe-se que a globalização na Educação visa à mão de obra e o mercado de trabalho, que comporta um trabalho sem pensamento critico e de adaptação a nova ordem social que influencia a escola em sua natureza competitiva, individualista e excludente, com intervenções fortíssimas nas políticas educativas gerando por estas meio, ações desconexas e ineficientes.

O neoliberalismo implica no setor educativo quando tende a imbuir menos recursos, uma formação menos abrangente, a privatização do ensino e a aceleração de aprovação e profissionalização do ensino. Em suma, os valores decorrentes desses tópicos reportam a racionalização empresarial que coloca a educação como bem de consumo, sendo seleta e eletizando o conhecimento. Portanto, as mudanças adotadas pelo neoliberalismo repousam na Educação no princípio da “equidade”, cujo significado consiste em dar um tratamento diferenciado a cada um conforme as demandas da economia. Deslocando o ensino a um serviço produtivo do conhecimento aos alunos por meio das habilidades necessárias ao mercado de trabalho.



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