quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

“Tudo o que: eu preciso saber eu aprendi na Educação Infantil”

                            Tudo o que eu preciso saber sobre como viver, o que fazer, e como ser, aprendi na educação infantil. A sabedoria não estava no topo da montanha mais alta, no último ano de um curso superior, mas no tanque de areia do pátio da escolinha maternal. Estas são algumas coisas que eu aprendi: dividir tudo, ser justo, não machucar ninguém, colocar as coisas de volta no lugar de onde foram tiradas, arrumar a própria bagunça, nunca pagar o que não é seu, pedir desculpas sempre que machucar alguém, lavar as mãos antes das refeições, dar descarga, leite com bolachas fazem bem para a nossa saúde.
                        Aprendi viver urna vida balanceada: aprender um pouco, pensar um pouco, desenhar um pouco, pintar um pouco, dançar um pouco, brincar um pouco e trabalhar um pouco, todos os dias. Tirar uma soneca todas as tardes. Quando sair a rua, olhar os carros, dar as mãos e ficar junto. Lembra daquela sementinha de feijão no copinho de café? As raízes crescem para baixo e as folhas para cima e ninguém sabe com certeza como ou porque, mas todos nós somos exatamente como ela. Peixinhos, passarinhos, gatinhos e cachorrinhos e até mesmo a sementinha de feijão no copinho de café, todos morrem, assim como nós.
                 E então, lembre-se dos livros de chapeuzinho vermelho e das primeiras palavras que você aprendeu. As maiores de todas: Mamãe e Papai. Tudo o que você precisa saber está Iá em algum lugar. Regras sobre a vida, o amor, saneamento básico, ecologia, política, igualdade e fraternidade. Pegue qualquer um destes temas e extrapole para sofisticadas palavras de linguagem adulta e então aplique em sua vida familiar, trabalho, governo ou mundo, e tudo continua firme e verdadeiro. Pense como o mundo seria melhor se todos nós - mundo inteiro - tomássemos leite com bolachas às três da tarde, todas as tardes, e depois deitássemos com nossos travesseiros no sofá da sala para uma soneca, ou então, se todos os governos tivessem como política básica sempre colocar as coisas de volta no lugar de onde foram tiradas e também sempre arrumar suas próprias bagunças. E é verdade, não importa quantos anos você tenha, ao sair pelo mundo vá de mãos dadas e fique sempre junto do companheiro.
                                                                              (Robert Fulghum, 1988.)

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