segunda-feira, 18 de maio de 2009

LINGUAGEM ORAL FERRAMENTA DINÂMICA DA LINGUAGEM ESCRITA.

LINGUAGEM ORAL FERRAMENTA DINÂMICA DA LINGUAGEM ESCRITA. 

A escrita como forma de comunicação passou por inúmeros processos de formulação desde sua origem com desenhos rupestres até chegar ao sistema alfabético com relação sonora. A escrita tornou-se necessidade premente, resultado da diligência coletiva da humanidade. Ao abordar a temática do ensino da linguagem oral e escrita, ou seja, inteirar-se do domínio da Língua Portuguesa nesta fase do desenvolvimento infantil, é fundamental vincular uma abertura de valores, conceitos e principalmente desenvolver funções corporais que compactuarão em alavancar o processo posterior de alfabetização. Para que este procedimento suceda gradativamente e seja incorporado de aprendizagens cogentes é necessário, portanto, partir da dimensão corporal do bebê, assim como sugere Nicolau.
O bebê tem um estilo singular de instituir uma comunicação com o meio, uma das suas manifestações é o choro, logo depois a emissão de sons vocálicos e consonotais aleatoriamente que são comumente denominados de balbucios. Mais adiante com o controle da musculatura vocal a criança começa a conversar, nomear objetos mesmo ocorrendo pronúncias errôneas. Neste período é de extrema importância repetir corretamente os nomes dos objetos, nomes pessoas tendo em vista desde cedo basilar os conhecimentos das crianças a fim de evitar futuros desconfortos de correção. Pesquisas comprovam que frequentemente os erros ocorridos na linguagem escrita são decorrentes de falhas na linguagem oral, má formação da consciência fonológica por partes das crianças. Por isso é de elevado valor instigar as crianças ao uso da linguagem como meio de comunicação nas mais variadas situações de diálogo, como rodas de conversa, postar um recado, brincar, ditar regras de jogos, desenvolvida limpidamente de maneira coerente e dinâmica.. Por volta dos 3 anos de idade as crianças normalmente são introduzidas na Educação Infantil, e esta etapa educacional desemborca questões intrínsecas ao aprendizado. Mensurar a complexidade da linguagem oral e escrita garante uma visão adepta ao desenvolvimento dos pré-requisitos essenciais a alfabetização, porque estes se constituem em chaves para a íntegra aquisição do sistema alfabético de escrita. São pré-requisitos o esquema corporal, a coordenação ampla e fina, a organização temporal-espacial, a percepção e discriminação dos sons das palavras e a inclusão de classes.
Estes pré-requisitos são simultâneos e abordam sucessivamente a conscientização da função que a linguagem desempenha socialmente, através de habilidades inerentes do desenvolvimento físico, emocional e cognitivo. De imediato trabalha-se a noção do eu, da articulação das mãos, pés, os movimentos do corpo, a exploração do equilíbrio, da lateralidade, e com a coordenação motora ampla permanece o amadurecimento da destreza. A organização temporal-espacial dispõe a exploração dos ambientes onde a criança percebe a relação seqüencial que a auxiliarão posteriormente na direção da escrita. A percepção e discriminação dos sons das palavras facilitam as crianças perceberem as semelhanças e diferenças sonoras entre as palavras, relacionando-as a objetos, nomes de familiares, etc. Criando uma consciência fonológica de maneira livre e sem cobranças.
A inclusão de classes é o fruto ou conseqüência de uma análise analítica onde o todo é composto por partes e as partes formam o todo, este aspecto quando bem enfatizado pautará a composição e decomposição das palavras, bem como a segmentação, que podem ser trabalhados por meio de brincadeiras e jogos como quebra-cabeça, encaixe, dentre outros. Assim, dentro desta esfera educacional o conhecimento é edificado por vivências concretas, simultaneamente a todos estes aspectos comentados distinguem-se três tipos de conhecimento o social passado de gerações, o físico que diz respeito ao reconhecimento de características dos objetos e o lógico-matemático que comporta a comparação mental entre elementos dispondo da abstração. Sendo a linguagem função superior do cérebro, instrumento de comunicação e elaboração do pensamento, o trabalho da Educação Infantil deve corroborar a aquisição fonológica completa, sem troca surdo-sonora na escrita, pois o mesmo é fator primitivo para o desenvolvimento da escrita. Nesse bojo um espaço alfabetizador, do ensino da linguagem oral e escrita ao ver desta dissertadora dentro da Educação Infantil, constitui-se em um autêntico espaço de intercâmbios entre sujeitos, meio e conhecimento, partindo este processo do movimento corporal, da observação, do descobrir, agir e falar.
Porquanto, o professor deste estrato educacional deve propor atividades concretas que agucem a capacidade perceptiva visual-auditiva, levando a criança identificar similaridades e alterações em posição de cores, objetos, etc., possibilitando um controle de seleção e manipulação do meio. O desenvolvimento da linguagem oral com os pequenos é cultivado nos momentos formais e informais de diálogo, geralmente são os que mais ampliam a linguagem oral de maneira significativa, pois são nos momentos de diálogos das rodas de conversas, e nos momentos que as crianças se dirigem a outros interlocutores que os pequenos aprendem a linguagem fazendo uso dela própria. Desenvolver a linguagem escrita implica em amadurecer desenvolturas não só na área cognitiva, mas também motora, e neste contexto a coordenação motora ampla e fina devem ser trabalhadas permeadas pelo lúdico. No aspecto da composição sonora e discriminação visual da disposição e combinações das letras, sílabas e palavras, o foco norteador exige um nível abstrato de desafio com a participação das crianças, visto que neste período elas elaboram suas hipóteses sobre a escrita e o que ela representa assim como Emilia Ferreiro e Teberosky evidenciam em seus trabalhos. Por este motivo o trabalho com os pares ou grupos em níveis de desenvolvimento da escrita semelhantes é relevante, nesta perspectiva todas as crianças socializam suas informações-hipóteses sobre a escrita em um recinto onde todos aprendem em conjunto, pois todos ensinam, mesmo tendo níveis díspares, até alcançarem a fonetização da escrita.
É primordial ao educador não somente conhecer e identificar estas etapas do desenvolvimento da linguagem escrita, porém é de suma relevância que saiba direcionar sua prática a fim de possibilitar as crianças a reelaborarem suas idéias sobre a escrita até ampliarem a construção da escrita convencional. Um dos fatores responsáveis pelo sucesso desta construção volta-se sobre a convivência com os tipos de textos, ou seja, na Educação Infantil esta abordagem se restringe a Literatura Infantil. A mesma compreende o contexto real e imaginário de certos desfechos, adaptando uma linguagem infantil, saiba e contundente de textos destinados a elas como fábulas, contos, trava-línguas, quadrinhas, tirinhas que assegura a ampliação do vocabulário por partes das crianças, enriquecendo por esta via sua linguagem oral e escrita. Ouvir histórias é o inicio de aprendizagens especiais, pois ele fundamenta o ato posterior do exercício da escrita, brinca-se com a imaginação e em paralelo forma-se a compreensão de mundo ao lidar com emoções, sonhos e auto-descobertas. Esta sintonia como caminho infinito da pluralidade constitui a ludicidade como proposta estratégica de intervenção pedagógica que oportuniza momentos de brincadeira com as palavras em livros, revista, etc. A literatura infantil é um norte que leva a criança a desenvolver a imaginação, emoções e sentimentos de forma prazerosa e significativa, bem como desenvolver as capacidades de produção. As crianças bem pequenas interessam-se pelas cores, formas e figuras que os livros possuem e que mais tarde, darão significados a elas, identificando-as e nomeando-as, contribuindo assim para o processo de alfabetização, pois as mesma fazem leitura de imagens, construindo por esta via o seu próprio texto, além de fazerem uma pseudo leitura. Neste sentido a leitura e o ouvir histórias são fundamentais para a aquisição de conhecimentos, recreação, informação e interação. Existem dois fatores que contribuem para que a criança desperte o gosto pela leitura: curiosidade e exemplo. Então enquanto educador deve-se despertar e desenvolver este hábito saudável em nas crianças, dando o exemplo, pois segundo Abramovich (1997) quando as crianças ouvem histórias, passam a visualizar de forma mais clara, sentimentos que têm em relação ao mundo. Diante disso as histórias são fundamentais para que a criança estabeleça a sua identidade, compreendendo melhor as relações sociais, além de ofertar uma consciência fonológica às crianças, o que facilitará o processo de alfabetização. 

REFERÊNCIAS

Universidade Norte do Paraná. Curso Superior de Pedagogia: módulo 3. Londrina: UNOPAR, 2007. Pezzini, Marcio França. Lehnen, Clarice Wolff. Moojen, Sônia. Tellechea, Newa Rotta. A aquisição da linguagem oral-relação e risco para a linguagem escrita. Arq Neuropsiquiatr 2004; 62 (2-B).

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