quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Gestor escolar: pedagogo ou administrador?


Construir uma escola democrática, permitindo a participação de todos os funcionários na melhoria da qualidade de ensino, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB e o Plano Nacional de Educação – PNE, é função do gestor escolar. É ele quem vai gerir os profissionais de educação para que a escola funcione e cumpra seu maior objetivo: a aprendizagem. Mas, será que para gerir uma instituição de ensino é preciso ter conhecimentos que vão além da Pedagogia?

De acordo com o administrador e consultor empresarial Werner Kugelmeier, a formação ideal para um gestor escolar é a Administração. Para ele, a escola se equipara a uma empresa e ter conhecimentos administrativos faz toda a diferença. “É por meio dessa formação que o profissional saberá como montar um modelo de gestão composto por elementos básicos: objetivos, estratégias, prioridades, recursos, pessoas, organização e, por último, monitoramento”, explicou.

A estrutura de uma escola, segundo Kugelmeier, também poderia ser comparada a de uma empresa. “O administrador entraria como diretor, assumindo a posição maior. Ele ficaria responsável por gerir uma equipe de pedagogos, que assumiriam como coordenadores pedagógicos. Ou seja, o trabalho de gerenciar seria dado a profissionais preparados para tanto”, disse.
Ao contrário de Kugelmeier, a pedagoga e diretora de serviços educacionais do Ético Sistema de Ensino da Editora Saraiva, Francisca Paris, acredita que a parte administrativa é importante, mas não é tudo. “A escola é uma organização que deve ter como fim o processo de aprendizagem. Caso essa meta não seja alcançada, de nada valem procedimentos administrativos”, afirmou.

A pedagoga explicou que um diretor deve ter conhecimentos básicos de administração para poder agregar à gestão escolar qualidades empresariais. “O diretor deve saber sobre gestão de pessoas, gestão da aprendizagem, gestão de procedimentos de formação de educadores, processos administrativos, legislação educacional, entre outros”, disse.
Já o professor titular da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo – FEUSP, Vitor Paro, é contra qualquer intervenção de outro profissional na gestão escolar, que não seja a do pedagogo. “O mais importante para dirigir uma escola é que a pessoa entenda de Educação. A parte administrativa qualquer um consegue fazer”, afirmou.

Segundo Paro, o diretor não tem grandes funções gerenciais. “Se a escola não funciona bem não é porque o diretor não sabe administrar, é porque não lhe dão condições de funcionamento”, disse. O professor acredita que gerir uma escola é completamente diferente de gerir uma empresa.

“Um mecânico, por exemplo, tem a matéria-prima e consegue moldá-la da maneira que quiser, porque ela não tem vontade própria. No caso do professor, o aluno só aprende se quiser. O educador tem que levar o aluno a querer aprender e esse trabalho não é simples. O trabalho do educador é um trabalho singular, completamente diferente de qualquer outro, por isso deve ser gerido de maneira própria”, explicou Paro.

A solução, proposta pelo professor, é a criação de uma direção colegiada. “Não existiria mais a figura única do diretor, que passaria a dividir sua função com três ou quatro coordenadores, dependendo da necessidade de cada escola. Esses profissionais seriam professores da própria escola”. Os coordenadores, segundo Paro, dividiriam funções como relacionamento com a comunidade e os professores e parte administrativa. “Eles seriam escolhidos por uma eleição e teriam um mandato de três ou quatro anos. Depois, voltariam a dar aulas”, disse.

Especialização
O profissional que deseja se especializar em gestão escolar tem a opção de fazer cursos de especialização a distância ou presenciais. O Blog Educação selecionou alguns. Confira!

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